14º Domingo do Tempo Comum

tempo ComumOs Textos

1ª Leitura – Ez 2,2-5

Salmo – Sl 122,1-2a.2bcd.3-4 (R. 2cd)

2ª Leitura – 2Cor 12,7-10

Evangelho – Mc 6,1-6

A Realidade

Corporativismo, o leitor certamente já ouviu essa palavra. É o espírito de corpo ou de grupo, a luta pelos interesses do grupo acima de tudo o mais. E quem se arvorar a criticar ou apontar alguma falha no seu grupo, na instituição, por exemplo, a Igreja, a que pertence será chamado de infiel, rebelde, revoltado, se não de coisas piores.

A conseqüência imediata é que, se ninguém aponta falhas ou defeitos, essas falhas e defeitos nunca serão corrigidos. “Roupa suja se lava em casa”, sim, mas, para que a roupa seja lavada, a sujeira deve ser mostrada, se não…

A Palavra

Jesus está no meio da sua atividade na Galileia, quando vai formando sua comunidade. Até então, só os dirigentes, os Escribas e outros, ficaram contra ele. O povo, ao contrário, parece aceitá-lo bem.

Agora ele vai à sua terra, à sua origem. Os de sua terra, os de casa, não o aceitam. Jesus vai lá com os seus discípulos, ele e sua comunidade. Os chefes parecem ter influído no povo. Os de casa procuram desqualificar o que ele diz, o que seus discípulos testemunham, dizendo serem, ele e seus familiares, gente muito simples e muito conhecida, incapazes de qualquer palavra ou ação que vá além da rotina.

Perguntam, sem citar seu nome, de onde lhe vieram a força de suas ações e a sabedoria de suas palavras. Duvidam, certamente, que venham de Deus. Se “a roupa suja se lava em casa”, não admitem que alguém do seu meio possa mostrar a sujeira que deve ser lavada ou alguma força ou capacidade que outros não tenham.

Não aceitam sua pregação, mas, como na Primeira Leitura Ezequiel recebe a missão de falar, ameaçar, denunciar, quer queiram ouvir ou não, assim também a missão de Jesus e seus discípulos é anunciar a verdade de Deus, quer queiram quer não queiram ouvir.

O Mistério

Na Missa celebramos a fala e a ação culminantes de Jesus. A fala é a ação. A fala é: onde ninguém se entrega por ninguém, onde ninguém se sacrifica por ninguém, ao contrário, sacrifica outros em favor próprio, eu me entrego, eu me sacrifico por vocês e por todos. A ação é esta, é entregar-se à pior das mortes, é sacrificar-se até o fim por aqueles que amou até o fim. “E mandou que os discípulos fizessem o que ele fez naquela Ceia derradeira”.

José Luiz G. Prado

Nova Resende