14º Domingo do Tempo Comum

Os Textos

A Realidade

Claudete conta que Dona Sebastiana pedia, às vezes, que ela lhe lesse um trecho da Bíblia. Claudete lia e Dona Sebastiana, analfabeta, explicava.

No Conselho Pastoral Paroquial foi apresentada a proposta de se estabelecer um curso obrigatório de preparação para o Batismo, ainda que de pouco tempo antes dos batizados. Foi feita uma votação. Os primeiros votaram a favor. Chegou a vez de Dona Sebastiana. Ela disse: Só vou contar o que aconteceu na nossa comunidade: Um casal levou seu filho para batizar numa paróquia vizinha e voltou dizendo assim: “Lá é que é bom! A gente chega e tem um cursinho de meia hora. Já pode batizar a criança e não é preciso participar em nada da comunidade.” Os votos seguintes foram todos contra a ideia.

A Palavra

A primeira Leitura traz a palavra do livro de Zacarias que motivou e explicou o sentido da entrada de Jesus em Jerusalém montado num jumentinho. Diante do avanço dos grandes impérios como o de Alexandre Magno, o profeta anuncia um salvador que vem manso e humilde, sem o poder dar armas e sem a arrogância dos grandes.

O texto do Evangelho de hoje está logo após as palavras duras de Jesus contra as cidades onde ele mais pregou e fez milagres: Betsaida, Corozaim e, principalmente, Cafarnaum. Ficaram envaidecidas com isso, mas não mudaram de mentalidade.

O Evangelho explica isso mais profundamente. A salvação vem dos pequenos, porque é a eles que Deus fala, deixando de lado os intelectuais e os sensatos. O pequeno e humilde é que pode entender a salvação que vem por Jesus, pobre, marginalizado e condenado como o pior dos criminosos, refugo da sociedade dos prudentes, sábios e bem-pensantes. Quem é pequeno e humilde é que pode entender Jesus, é a ele que Deus revela o seu Filho e o Filho revela o Pai.

O Mistério

A Missa semanal deve nos lembrar isso. Dia a dia nos ensina outra coisa como “Aqui só vence o mais poderoso, o mais capaz, o mais competente”, “O mundo é dos espertos”, “Ai dos vencidos!”. A Eucaristia celebra a vitória do derrotado, a glória do humilhado, o poder do fraco, a vida do crucificado. A comunhão, todos, irmãos, participando da mesma mesa, só existe quando alguém se parte em pedaços e dá o sangue pelos outros.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende – MG