16º Domingo do Tempo Comum

Os Textos

1ª Leitura – Sb 12,13.16-19

A Realidade

Numa reunião de comunidades eclesiais alguém disse: “Nenhuma das nossas comunidades vive como as primeiras comunidades de que fala a Bíblia. Está tudo errado. E eu sou o pior de todos!”. Outro retrucou: “A Bíblia só fala das coisas boas, do lado bom das comunidades, não fala dos defeitos e das dificuldades que, de certo, tinham também.”.

A Palavra

O evangelho de hoje traz à nossa reflexão a parábola do joio e do trigo. É tão conhecida, mas parece que “na prática a teoria é outra”. É preciso ter sempre em mente essa parábola para aprendermos a contar com as limitações naturais a todas as instituições humanas.

Na primeira leitura o livro da Sabedoria interpreta muito bem o que uma oração do missal expressa resumidamente: “Deus, que na misericórdia manifestais o vosso poder”. O perdão, a compreensão, a compaixão são sinais da grandeza de Deus, não o contrário.

O Evangelho mais longo além da parábola do joio e do trigo traz também a da semente de mostarda e a do fermento. A semente de mostarda e a pitada de fermento mostram outro lado, a força dos pequenos. Isso também faz parte da realidade do Reino dos Céus.

Mateus, o Evangelho judeu, usa a palavra céus para, por respeito, evitar o nome de Deus. Esse “reino dos céus” acontece aqui na terra, nas comunidades cristãs. E está inevitavelmente envolvido com limitações e pecados humanos, que só serão extintos no final de tudo, na hora da colheita.

O Mistério

A Eucaristia celebra a chegada, ensaia “a festa e a alegria”, antecipa a realização plena do Reino de Deus, após o fim da colheita. Mas é celebrada com sinais frágeis e por pessoas também frágeis.

Vinte anos apenas depois de Jesus, em Corinto, a Ceia do Senhor estava tão des-virtuada que Paulo chegou a dizer “isso não é mais a ceia do Senhor, pois enquanto uns estão com fome outros estão embriagados” e “cuidado para não serdes condenados com este mundo!”.

O joio no meio do trigo está presente em todas as partes. Nem por isso, porém será preciso aceitar passivamente que a Ceia do Senhor seja transformada em show de alguma estrela que não é Jesus que se entrega à cruz, ou sirva para se reproduzirem nela as desigualdades existentes no nosso mundo.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende – MG