19º Domingo do Tempo Comum

Os Textos

A Realidade

O Documento de Aparecida lança um “Olhar sobre a realidade”, e vê como eixo a questão da globalização. Hoje, os antigos costumes de nada mais valem, valem só o dinheiro e a satisfação individual, os outros que se danem…

Olhando para o futuro a gente se apavora, tudo parece caminhar para o pior. O individualismo crescente vai dar à mãe o direito de matar o próprio filho. Não há o que impeça a ganância de destruir a natureza. A corrupção cresce a cada dia, o bem público não conta, conta o ganhar dinheiro e a satisfação individual. Enquanto isso, o menino pobre de dez anos diz que só espera completar os 18 para ir para a nova penitenciária.

Como enfrentar a tempestade? Como não se afundar nesse mar agitado?

A Palavra

Alimentada aquela multidão (Evangelho do domingo passado), Jesus força os discípulos a atravessarem para o outro lado. Atravessar para o outro lado significa en-frentar o desconhecido, ir ao estranho, à situação para a qual a gente não se sente prepa-rada. A ventania e o mar agitado apavoram, principalmente quando Jesus está fora do barco, mesmo que em oração ao Pai.

Jesus que volta do encontro com Deus na oração não teme as ondas fortes, anda por sobre elas. Pedro, que será chamado de pedra sobre a qual se constrói a Igreja, quer fazer o mesmo, mas não está preparado, começa a se afundar. É Jesus que lhe dá a mão.

O barulho, a agitação, o consumo rápido deixam um vazio, diz o Documento de Aparecida, um vazio de sentido, de rumo, que só Deus pode dar.

Se o Deus que não se acha no furacão nem no terremoto, mas na brisa suave, no interior da gruta (1ª. Leitura), se esse Deus que só encontramos no silêncio e no interior de nós mesmos, está fora do nosso barco, corremos o risco de naufragar. Sem a firmeza de Jesus não adianta querer fazer bonito. Confiar na posição social é afundar-se.

O Mistério

A Missa deve ser o encontro semanal com Deus. É aí que vamos buscar forças para enfrentar as tempestades de hoje, vencer as tentações da ganância, do individualis-mo, do consumismo, da agitação febril que desorienta.

Quem vence melhor o individualismo, a ganância, o orgulho, do que aquele que se entrega à cruz em favor de todos? Aqui ele nos dá a mão para não nos deixar naufra-gar.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende