1º Domingo da Quaresma

1-Quaresma

Os Textos

A Realidade

Há pouco ouvi uma pessoa, ao comentar o fato de alguém ter escapado de uma grande dificuldade, dizer: “Por isso é que é bom a gente rezar”. O pensamento é este: a quem reza Deus ajuda e livra das dificuldades. A gente reza para que Deus nos livre, e quem reza é protegido por Deus. Isso é confirmado com as palavras do Salmo 91 (90).

Muitas “religiões” prometem exatamente isso, solução dos problemas afetivos, de saúde, de dinheiro e tudo o mais. É uma tendência de hoje: a pessoa é o centro de tudo, tudo é para mim e em função de mim. A fé religiosa será boa, então, enquanto servir para o meu conforto, o meu nome e o meu poder.

A Palavra

Adão e Eva somos todos nós, homens e mulheres. A tentação de sermos absolutos é traiçoeira como a serpente. Nada há mais verdadeiro do que o ser humano, feito de barro, cair na tentação de se igualar a Deus, ter tudo e ser o centro de todas as atenções. Disso nos fala a Primeira Leitura.

No Salmo reconhecemos que vivemos enredados no pecado.

Na Segunda Leitura Paulo compara Jesus e Adão. Adão introduziu o pecado e a morte no mundo. A influência de Jesus, porém, não tem comparação. Em termos infinitamente superiores, ele livra do pecado e traz a vida.

O Evangelho nos apresenta as tentações que acompanham a caminhada de Jesus e também a nossa. São elas a de reduzir o sentido da vida ao alimento, ao bem estar e ao conforto. Mas a resposta de Jesus é: “Não só de pão vive o homem”. A vida perde sentido se eu não penso no outro e em outros valores, como dignidade e convivência humana.

A outra tentação é a de exigir a proteção permanente de Deus: “Pula daqui a baixo que Deus vai mandar seus anjos te protegerem!”, “Joga fora esse remédio, que Jesus vai te curar!”. Deus está a meu serviço, não eu a serviço dele e do seu projeto.

A final é a tentação do poder: “Ajoelha-te a meus pés, que eu te dou todo o poder do mundo!” Pelo dinheiro se destroem a natureza e as pessoas. Em negócios e em política vale tudo, só não vale perder.

O Mistério

A vitória final de Jesus sobre as tentações foi a morte de cruz, a entrega de si mesmo que, na Eucaristia, se transforma em pão partilhado. Missa não é show, é sacrifício da própria vida, “Missa de cura” não existe. Outra é a direção: O que vale é dar a vida pelo outro.

José Luiz Gonzaga do Prado