22º Domingo do Tempo Comum

Os Textos

A Realidade

Volta e meia, são veiculadas notícias de escândalos envolvendo padres e bispos. Chamam maior atenção casos de pedofilia e outros abusos sexuais, mas há também acusações de riqueza excessiva, luta por poder e incoerência generalizada.

Não é necessário dizer que nem todas as acusações procedem, a verdade, porém, é que há casos inegáveis de falta de coerência, de falta de compromisso com o Evangelho e prática de erros graves. Não basta dizer a verdade, é preciso praticá-la.

A Palavra

A primeira Leitura de hoje é um trecho das chamadas confissões de Jeremias. Ele se sentia chamado por Deus para denunciar as injustiças e perversidades dos poderosos, a começar do rei. Isso só lhe traria dificuldades e perseguição. Mas o apelo de Deus era irresistível, como um fogo a queimá-lo por dentro. Por isso ele falou, por isso ele foi desprezado, marginalizado, perseguido e preso. Mas não fugiu da verdade.

No Evangelho, a fala de Jesus a Pedro é totalmente oposta ao que lhe dissera há pouco. No episódio anterior, depois que Pedro afirmou em nome dos discípulos que Jesus é o Messias, Jesus lhe disse: ‘tu és feliz’, ‘o que falas não é coisa dos homens é de Deus’, ‘serás a pedra fundamental da minha Igreja’.

No trecho de hoje Jesus chama Pedro de satanás ou estorvo e manda que saia de sua frente e vá para trás a fim de segui-lo. Em seguida diz: ‘o que falas não é coisa de Deus, é coisa dos homens’ e ainda afirma que ele lhe está sendo um escândalo, palavra que significa pedra de tropeço, pedra no caminho.

Jesus mudou completamente o discurso, porque Pedro não queria aceitar que Jesus fosse preso, humilhado e morto pelas suas autoridades, não queria aceitar as consequências da coerência até à morte e morte de cruz. Afirmar a verdade sem erro de que Jesus é o Messias não basta, é preciso aceitar na prática que o caminho dele é o da cruz e não há por onde fugir.

O Mistério

A celebração regular da Eucaristia tem a função de não nos deixar esquecer que a entrega coerente de si mesmo à humilhação da cruz é o único caminho de salvação. Transformar a celebração em espetáculo ou exibição é fugir da cruz como queria fazer Pedro. A partilha que salva só acontece se o corpo é entregue e o sangue é derramado.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende – MG