23º Domingo do Tempo Comum

Ouvi, há pouco, elogios a uma senhora da qual jamais se soube que tenha falado mal de alguém. Se, porém, houvesse algo a ser corrigido em alguma pessoa, com toda a discrição ela chegava e lhe dizia, fosse até mesmo o padre ou alguma autoridade pública. E, por causa de sua coerência e porque sabiam que para ninguém mais ela falaria daquele assunto, todos a respeitavam e sem se ofender levavam em consideração o que ela lhes dizia.

A Palavra

Na Primeira Leitura, vendo o sofrimento do povo que está no cativeiro, o profeta entende que a missão sua e de outros profetas é a de mostrar os caminhos errados, que levam à morte. Seja ouvido ou não, o profeta não deve desanimar, essa é a sua missão.

A Segunda Leitura, embora não seja escolhida para combinar com a Primeira e o Evangelho, traz uma palavra de Paulo que lembra a única dívida que jamais consegui-remos pagar totalmente, a do amor ao próximo.

O capítulo 18 de Mateus é a catequese evangélica sobre a Comunidade cristã. Erros, falhas? Acontecem. Como agir? Primeiro, sem arrogância, falar com o interessa-do. Se ele ouvir, está resolvido o problema. Se não, ainda em particular, pedir a ajuda de outro. Só no final o assunto deverá se tornar público.

Vemos também nessa catequese a força da Comunidade: O que foi dito a Pedro no capítulo 16 aqui é dito à comunidade como um todo, ‘o que vocês decidirem aqui na terra, Deus estará aprovando’.

E no Evangelho de hoje encontramos também a conhecida palavra de Jesus sobre a grandeza do pequeno grupo, da Comunidade Eclesial: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”.

O Mistério

“A Eucaristia faz a Igreja” cantamos muitas vezes. Aqui se celebra a Comunidade, a Igreja. Pena que, na macroestrutura atual da Igreja, não seja possível a celebração regular da Missa com todas as menores Comunidades Eclesiais, as que melhor merecem o título de comunidade.

O destaque dado à presença do Cristo nos sinais do pão e do vinho deixou em escuras sombras a mesma presença “onde dois ou três se reúnem”. A reunião em nome de Cristo é também sinal de sua presença,. ‘Ele está no meio de nós’ dizemos mais de uma vez em nossas celebrações, mas talvez nos falte a devida convicção.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende