24º Domingo do Tempo Comum

Os Textos

1ª Leitura – Eclo 27,33-28,9

Salmo – Sl 102,1-2.3-4.9-10.11-12 (R. 8)

2ª Leitura – Rm 14,7-9

Evangelho – Mt 18,21-35

A Realidade

Há hoje uso e abuso da palavra comunidade, tudo parece ser comunidade, uma favela de quatrocentos mil habitantes, dominada pelo tráfico, onde nem a polícia é capaz de chegar, é chamada de “comunidade”. Cientistas que não se conhecem, nem mesmo ouviram falar um do outro, fazem parte da “comunidade científica”.

Mesmo em termos de Igreja, quando se troca a palavra paróquia pela palavra comunidade, isso faz com que todas as pessoas que se encontram dentro do território da paróquia se sintam membros uns dos outros, em verdadeira comunidade? Há cerca de cinqüenta anos atrás, Pe. Émile Pin SJ, da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Gregoriana se perguntava: “Pode uma paróquia urbana ser uma comunidade?

A Palavra

O trecho do Evangelho lido hoje é o final da catequese de Jesus sobre a comunidade. Ele já havia dito que na Comunidade Eclesial não há uns maiores do que os outros, todos devem ser pequenos como as crianças, que onde dois ou três estão reunidos em nome dele, ele está no meio deles, dissera como agir quando alguém comete algum erro até o caso ser levado à comunidade e que o que a comunidade decidir sobre a terra, Deus estará confirmando.

Isso leva à pergunta: quantas vezes devo perdoar? A resposta se encontra no Evangelho de hoje. A verdadeira comunidade se apóia basicamente no perdão. Sem ele não há comunidade.

Parábola é comparação. O que o servo deve ao rei, dez mil talentos, corresponde a mais de 300 toneladas de moedas, enquanto que um servo devia ao outro cem moedas. O que devemos a Deus não tem proporções com o que devemos uns aos outros. Sem perdão, sem compreensão, não há comunidade.

Na Primeira leitura vamos ouvir do livro do Eclesiástico, ouvir algumas reflexões sobre a raiva, o ódio e a inimizade, que nos ajudam a entrar melhor no clima do Evangelho. O Salmo, por seu lado, canta ao Senhor, sempre pronto a perdoar e salvar.

O Mistério

Os sinais separados do corpo e do sangue do Senhor, segundo Pio XII, indicam sua morte que celebramos. Ele dá a vida em favor daqueles que precisam de perdão, que precisam se libertar do pecado, “para a remissão dos pecados”. Portadora do perdão, a Eucaristia começa a nos fazer Igreja, Comunidade.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende