26º Domingo do Tempo Comum

A Realidade

Multiplicam-se os canais religiosos na televisão. Parece um mercado promissor. A dúvida somente é se esse freqüente falar em Deus, recorrer a ele em todos os problemas pessoais, dar-lhe louvores no maior entusiasmo, provocar emoções que levam às lágrimas, se tudo isso dá forças para transformar o mundo de acordo com a vontade do Pai.

Não estaremos fazendo como aquele que, na presença, só sabe dizer “Sim, se-nhor! Sim, senhor!” e na ausência tudo faz ao inverso da vontade do ‘senhor’?

A Palavra

O Evangelho de hoje traz a comparação dos dois filhos, um que sempre dizia ao Pai: “Sim, senhor, vou fazer a tua vontade!”, mas não ia, enquanto que o outro dizia: “Não vou!”, mas ia. A comunidade que nos guardou essa palavra de Jesus no Evangelho deve ter sentido isso na pele.

A comunidade era de cristãos judeus e vivia um confronto com os fariseus. Esses pretendiam dominar a religião e impor a todos as suas normas e devoções. A comunidade viu que outros, que não oravam tanto, nem traziam o nome de Deus nos lábios com tanta frequência, tinham uma prática muito mais correta.

A questão se coloca também para nós hoje. O que Deus quer realmente é que se fale muito no seu nome, que sua ajuda seja invocada para tudo, ou que sua vontade seja praticada no dia a dia? É que a gente reze muito, ou que, na reflexão, procure ver o que ele quer que se faça? Já dizia alguém “o povo gosta mais de rezar, porque rezar não lembra os pecados e fazer reflexão lembra”.

A Primeira Leitura vem no mesmo sentido. Se aquele que parece justo comete o erro, merecerá o castigo, se aquele que parece mau se corrige e pratica a justiça, terá a recompensa. Ninguém é definitivamente mau ou bom. A vontade de Deus tem de ser procurada dia após dia.

O Mistério

Aceitar a morte de cruz seria aceitar ser um maldito de Deus (Dt 21,22-23). Mas a vontade de Deus estava clara nos acontecimentos, tudo dizia que era preciso passar por um maldito a fim de se tornar a bênção (Gl 3,13-14). Foi o que Jesus fez na Última Ceia, mandando que a gente fizesse o mesmo que ele fez. Fazemos?

O pão partido e o vinho repartido celebram a morte total de si a serviço da humanidade, a fim de tirar do mundo o pecado, fonte de todas as suas desgraças.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende