29º Domingo do Tempo Comum

Os Textos

1ª Leitura – Is 45,1.4-6

Salmo – Sl 95,1.2a.3.4-5.7-8.9-10a.c (R. 7ab)

2ª Leitura – 1Ts 1,1-5b

Evangelho – Mt 22,15-21

A Realidade

“Aquela ou aquele ali tem muito temor de Deus!” Quando se ouve isso, o que é que a maioria entende? É uma pessoa que reza muito, que tem muitas devoções, segue muitas práticas religiosas ou, então, é uma pessoa escrupulosa, que tem muito medo de pecar ou que vê pecado por toda a parte, com medo de ofender a Deus.

Parece que por trás disso está a ideia de que Deus nos vigia continuamente apenas para nos castigar, sempre pronto a cobrar o menor deslize. Está também o pensamento de que o que Deus quer de nós em primeiro lugar é o cumprimento exato de devoções, práticas ou de normas de comportamento individual.

A Palavra

O episódio relatado na Primeira Leitura tem algo de mágico ou misterioso. O seu significado, porém, é certo. A mão ou as mãos erguidas de Moisés lembram a ligação com Deus na oração. Enquanto está ligado com Deus, o povo vence a luta.

As comunidades onde teve origem o Evangelho de Lucas estavam nas grandes cidades do Império Romano. Ali as autoridades não ligavam para o povo pobre, pois, para elas, não existia uma Lei de Deus que mandasse ser irmãos, solidários e companheiros uns dos outros e olhar principalmente para o que mais necessita. O pobre, para conseguir alguma coisa, precisava pedir favor a algum patrono, a quem sempre ficava devendo obrigação. Não existia a Lei de Deus para defender o pobre. Não havia, portanto, temor de Deus.

O juiz do Evangelho de hoje não respeita ninguém, especialmente os mais fracos, ele não tem temor de Deus, ele só é dobrado pela insistência da viúva. Deus é que está do lado da viúva, do lado do pobre. Ele socorre o fraco, não para ficar livre de sua amolação, mas porque é o seu único protetor. Ter o temor de Deus é, por isso, estar do lado do pequeno.

O Mistério

A celebração da Eucaristia é o cume, o ponto mais alto, e é o ponto de partida de nossa vida. Celebramos a chegada, a Lei de solidariedade e de partilha acontecendo, o reinado ou projeto de Deus totalmente realizado, assim na terra como no céu. Ao mesmo tempo, nós nos alimentamos daquele que se faz em pedaços para criar a partilha, faz-se a último para que todos possam ser iguais, faz-se maldição (Gl 3,13 e Dt 21,22-23) para trazer-nos as bênçãos de Deus.

José Luiz Gonzaga do Prado