2º Domingo da Quaresma

1-Quaresma

Os Textos

1ª Leitura – Gn 12,1-4a

Salmo – Sl 32,4-5.18-19.20 e 22 (R. Cf. 22)

2ª Leitura – 2Tm 1,8b-10

Evangelho – Mt 17,1-9

A Realidade

Na Alemanha do pós-guerra, o correto, o educado era comer tudo o que ia à mesa. Sobrar algum alimento, dizia-se, era provocar tempestade. Sempre se perguntava quem iria comer o último pedaço, o último bocado.

Entre nós o “educado” é sobrar. Não sobrar daria a impressão de miséria, tanto no sentido de pobreza, como de economia extrema. Moderação, austeridade, controle do próprio consumo, parece pecado, é proibido “ficar com vontade”. A consequência disso é o desperdício, a porcentagem alta de produtos que vai para o lixo. E já não se sabe mais o que fazer do lixo.

A Palavra

Jesus está subindo para o confronto final com os inimigos, o complot entre os poderes religioso e civil que vai levá-lo à morte de cruz. Começa a explicar isso, mas Pedro, que acabara de confessar a fé dos discípulos, foi o primeiro a não admitir a idéia de fracasso humano, de cruz, de sacrifício. Jesus que o tinha dito bem-aventurado e inspirado por Deus, agora o chamou de satanás, de empecilho, de inimigo e tentador, e convidou todos a segui-lo até a cruz.

O Evangelho de hoje mostra a realidade escondida por trás do aparente fracasso. Jesus leva Pedro, Tiago e João para verem na montanha, perto de Deus, a sua verdadeira glória. Jesus não é mais um profeta como Moisés e Elias. Filho amado de Deus é o Servo Sofredor dos quatro poemas de Isaías (42,1-7; 49,1-6; 50,4-9 e 52,13-53,12). É difícil entender, mas a ordem do Pai é que Jesus seja ouvido.

É difícil entender que o fracasso aparente leve à vitória, que a humilhação se torne glória, que o sacrifício livremente assumido abra o caminho da vida. Não é fácil engolir que a moderação, a austeridade, a pobreza livremente querida, é que podem salvar o planeta. Jamais acabaremos de entender a força da fraqueza.

Na Primeira Leitura é da fraqueza de Abraão, migrante, velho e sem filhos, que se pode esperar a bênção da vida para a humanidade inteira. E a Segunda Leitura lembra que o caminho da vida foi aberto pelo Salvador Crucificado.

O Mistério

Na Eucaristia celebramos a glória da cruz, a vitória do fracassado, a força do fraco, difícil de engolir. Na pobreza dos sinais, vivemos a riqueza da mesa partilhada, sacramento da humanidade resgatada e do planeta salvo.

José Luiz Gonzaga do Prado