2º Domingo do Advento

9003advento- 1ª semana

 

Os Textos

1ª Leitura – Is 40,1-5.9-11

Salmo – Sl 84,9ab-10.11-12.13-14 (R.8)

2ª Leitura – 2Pd 3,8-14

Evangelho – Mc 1,1-8

A Realidade

Para os meios de comunicação, preocupados apenas com a movimentação da economia, o Natal será bom ou ruim dependendo do quanto se vai gastar. Consumo maior, mais a economia se movimenta e a riqueza aumenta. Isso é o que lhes interessa. Se também, quanto mais circula, mais a riqueza se concentra, não importa. É preciso consumir para que ela circule.

Nós vamos celebrar a vinda de Jesus. Como? Com comidas finas e roupas elegantes? Como preparar a vinda do Salvador? Ou o nosso mundo não precisa mudar, não precisa de Salvador?

A Palavra

O início do Evangelho ou começo da Boa Notícia de Jesus como messias é a figura de João Batista e a simplicidade de sua ação e de sua pregação. Ele vem preparar o caminho do Senhor. O poema do Segundo Isaías que ouvimos na Primeira Leitura celebra a volta do cativeiro da Babilônia. Os caminhos a serem preparados no deserto, são os caminhos da liberdade, da dignidade e da paz.

A ação de João Batista é levar as pessoas a reconhecer seus pecados e a passar pelas águas do rio como sinal de vida nova. Sua pregação é simples, é a metanoia: meta, mudança, noia, de cabeça, de maneira de pensar, de mentalidade. A única coisa necessária para preparar a vinda do Senhor é essa mudança.

A figura de João Batista é pregação viva e atualíssima. Se hoje nos deixamos levar quase que irresistivelmente pelo consumismo, João aparece vestido do mais rústico tecido, a lã de camelo, e alimentando-se do que é o extremo oposto de muitas das nossas ceias de Natal.

O Mistério

A Eucaristia não celebra o consumismo que discrimina e separa os que nada têm daqueles que têm com abundância. Celebra a partilha do Pão da igualdade. Nosso pão sem fermento, nossas hóstias de hoje, empobreceram muito o simbolismo da mesa comum. Mas também a pobreza dos símbolos nos aponta para a pobreza pregada pelo Batista.

A Missa não é um espetáculo, não pode pretender ser um espetáculo. É e deve ser na sua singeleza um apelo à metanoia, à mudança de mentalidade, a tirar da cabeça as idéias de consumismo, que levam diretamente à de competição.

É a partilha de si que faz que a salvação chegue ao nosso mundo. Aqui fazemos o mesmo que ele fez naquela Ceia derradeira.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende