2º Domingo do Advento

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Os Textos

1ª Leitura – Is 11,1-10

Salmo – Sl 71,1-2.7-8.12-13.17 (R.cf 7)

2ª Leitura – Rm 15, 4-9

Evangelho – Mt 3, 1-12

A Realidade

Diz a antiga fábula: O lobo e o cordeiro foram ao mesmo córrego beber água. Vendo o cordeiro, o lobo diz: – Vou te matar porque estás sujando a minha água! O cordeiro responde: – Não pode ser, eu estou mais em baixo, a água está correndo daí para cá. O lobo diz: – Então eu vou te devorar porque na semana passada teu pai me insultou! – Não pode ser – responde o cordeiro – faz dois meses que meu pai morreu. – Ah! Se não foi teu pai, foi teu irmão, teu tio… E avançou sobre o cordeiro. O fabulista conclui: “O mais forte sempre acha uma razão para devorar o mais fraco”. Não será esse o princípio que governa o nosso mundo?

A Palavra

O profeta Isaías depositava grande esperança em Ezequias, o novo rei. No seu poema, que é a Primeira Leitura de hoje, ele afirma que o rei vai fazer justiça aos pobres e humilhados, vai acabar com a realidade de lobos e cordeiros. Ele agirá movido pelo temor do Senhor e fará que a nação inteira se encha do conhecimento do Senhor.

Advento não é preparação para o Natal, é preparação para a vinda do Senhor, para irmos ao seu encontro. E hoje aparece João Batista. Prega no deserto da Judeia, lugar ermo e sem vida. Sua mensagem se resume na metanoia, mudança de cabeça, mudança de mentalidade, coragem de remar contra a corrente do pensamento dominante, coragem de pensar e agir diferente.

João prepara os caminhos do Senhor. Sua figura já contrasta fortemente com o pensamento dominante. Como o profeta Elias, ele veste uma roupa tecida de pelos de camelo, com uma cinta de couro. Seu alimento também não combina com as comedeiras e bebedeiras dos poderosos do seu tempo, nem do nosso Natal consumista.

Ele prega a metanoia, a mudança (meta) de cabeça (noia), porque o reinado de Deus está chegando. Se quem vai mandar é Deus, pai de todos, e não o dinheiro, pai só de alguns, então é preciso mudar as cabeças, as mentes.

O Mistério

Na Eucaristia celebramos um mundo diferente que vem por um caminho diferente. Celebramos a mesa comum da humanidade, que vem da partilha de si, do partir-se em pedaços como aquele pão. O caminho é a austeridade, não o consumo exasperado, é o sacrificar-se pelo outro, não o aproveitar-se da situação. A chegada é a mesa comum onde lobos e cordeiros se sentam juntos.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende – MG