3º Domingo da Quaresma

lent - Cópia (2)

Os Textos

1ª Leitura – Ex 3,1-8a.13-15

Salmo – Sl 102,1-2.3-4.6-7.8-11 (R.8a)

2ª Leitura – 1Cor 10,1-6.10.12

Evangelho – Lc 13,1-9

A Realidade

Vamos pensar em catástrofes acontecidas hoje, terremotos, tsunami, incêndios, inundações, coisas desse tipo. Serão castigos de Deus? As vítimas, então, eram piores do que os outros? Ou é um aviso? Aviso de quê? Esses acontecimentos estão ajudando a humanidade a ter mais juízo? Parece que não, pois continua o desmatamento, as chaminés das fábricas e o escapamento dos veículos continuam poluindo a atmosfera, os agrotóxicos continuam matando a mãe terra.

A Palavra

No Evangelho de hoje, vão contar a Jesus o massacre dos galileus ordenado por Pilatos. A reação de Jesus não é de criticar os galileus que, com a desculpa de oferecer sacrifícios planejavam um ato de terrorismo, nem é de condenar Pilatos, que mandou matar todos eles.

Jesus não vê os acontecimentos pela superfície. As tragédias não são castigo de Deus, não significam que as vítimas fossem piores. Tudo o que acontece tem causas, e bem profundas. Todo acontecimento dolorido tem sua última raiz no pecado, o egoísmo, a ganância e a vaidade humanas.

Os acontecimentos de qualquer espécie são apelos de Deus para que a gente mude de mentalidade e maneira de agir. Na Primeira Leitura de hoje, Moisés, que havia fugido da perseguição do Faraó, tem um encontro com o Deus dos hebreus. Ele tentou defender seus irmãos hebreus, mas, perseguido, teve de fugir. Agora deve voltar ao Egito, enfrentar o Faraó e libertar seu povo.

Nosso Deus é um Deus histórico, que acompanha os acontecimentos, que estava no passado com o povo, está agora e estará no futuro. Ele vê a opressão, escuta o clamor do oprimido, toma conhecimento de sua situação e desce para libertá-lo.

Ser, estar e acontecer na língua hebraica é a mesma palavra. O nome Javé é interpretado como “Aquele que é”, Aquele que está junto, Aquele que acontece na libertação do povo.

O Mistério

A celebração da Eucaristia não é fazer um passe de mágica, é comemorar atualizando um acontecimento, um fato histórico, uma tragédia humana que abre o horizonte da salvação. O que Jesus fez naquela ceia derradeira foi assumir coerentemente a morte maldita de cruz, foi fazer aquilo que nosso egoísmo se recusa a fazer, tomar o último lugar e sacrificar tudo pelo outro.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende