3º Domingo do Advento – Gaudete

9003advento- 1ª semana
Os Textos

1ª Leitura – Is 61,1-2a.10-11

Salmo – Lc 1,46-48.49-50.53-54 (R. Is 61,10b)

2ª Leitura – 1Ts 5,16-24

Evangelho – Jo 1,6-8.19-28

A Realidade

Uma tentação que atinge todo agente de pastoral, toda pessoa que tem alguma atuação ou função na Igreja, é a de o agente se colocar no lugar de Cristo. Achar que somos nós o caminho da salvação, que ninguém e nada deixe de passar por nós, que nós, somente nós, temos de aparecer, brilhar e fazer sucesso. É preciso cuidado para que a própria imagem não acabe ofuscando a de Cristo ou tomando o seu lugar, até fisicamente, numa sala, numa casa ou até numa igreja.

A Palavra

João Batista marcou tanto, que, sessenta anos após sua morte, ainda havia quem pensasse que o Messias enviado por Deus seria ele e não Jesus. Mas, segundo o Evangelho de João, ele não assumiu o papel que lhe atribuíam, não caiu na tentação, disse com toda a clareza não ser ele o Messias.

Segundo antigo costume que aparece no capítulo 25 do Deuteronômio e no livro de Rute, o cunhado da viúva sem filhos deve se casar com ela. Se ele se recusar, precisa tirar as sandálias (Dt 25,9 e Rt 4,8-9), para que outro ocupe o seu lugar, venha a pisar onde ele pisava. João nunca quis ocupar o lugar de Jesus, não achou que poderia ser ele o noivo ou esposo.

No capítulo 3 (vv. 28-29) deste Evangelho, João confirma o que diz aqui e completa: “Quem recebe a noiva é o noivo, mas o amigo do noivo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria quando escuta a voz do noivo. Essa é a minha alegria e ela ficou completa. É necessário que ele cresça e eu diminua.”.

A alegria do Natal é a da boa notícia para os pobres e sofredores deste mundo, como afirma a Primeira Leitura. O ano do agrado do Senhor é o do jubileu, quando os endividados eram perdoados, os escravizados eram libertos e as terras eram re-divididas.

O Mistério

A cobiça do poder e do primeiro lugar estão na raiz de todos os males da humanidade. E essa cobiça está profundamente enraizada no ser humano. O Salvador deve vencer a cobiça.

Na Eucaristia celebramos o momento em que Ele se entrega à mais humilhante das mortes, para servir, para lavar os pés da humanidade. A partilha de si, significada no pão partido e no vinho por todos consumido, é o ponto de partida para um mundo salvo, para uma nova humanidade. E na mesa comum celebramos a chegada.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende – MG

Mas o que é o Domingo do Gaudete?

Os textos litúrgicos deste período do Advento nos renovam ao convite a viver a espera de Jesus, a não deixar de esperar sua vinda, nos colocando em posição de abertura e disponibilidade ao encontro com Ele.

A vigilância do coração, que o cristão é chamado a exercitar sempre, na vida de todos os dias, característica especial neste tempo em que nos preparamos com alegria para o mistério do Natal (cfr Pref. Adv.II).

O ambiente externo, em um nível menor por causa da crise, oferece as mensagens usuais de tipo comercial. O cristão é convidado a viver o Advento sem deixar-se distrair pelas luzes, mas sabendo dar o valor justo às coisas, fixando seu olhar interiorem Cristo. Sede fato perseveramos “vigilantes na oração e jubilosos no louvor” (ibid.), nossos olhos serão capazes de reconhecer Nele a verdadeira luz do mundo, que vem iluminar as nossas trevas.

Em particular, a liturgia deste domingo, chamando “Gaudete”, nos convida a alegria, não a uma vigília triste, mas contente. “Gaudete in Domino semper” – escreve São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fil 4,4).  Bento XVI