4º Domingo da Quaresma

quaresmaOs Textos

1ª Leitura – 2Cr 36,14-16.19-23

Salmo – Sl 136,1-2.3.4-5.6 (R. 6a)

2ª Leitura – Ef 2,4-10

Evangelho – Jo 3,14-21

A Realidade

Há pessoas que, quando ouvem alguma referência negativa ao mundo, discor-dam dizendo: “Não! O mundo é bom, o povo é que é ruim!”. Quanta coisa se pode entender pela palavra mundo? É a natureza, essa bela moradia que Deus nos deu e nós teimamos em destruir. É a humanidade inteira, mesmo perdida e desorientada. São as estruturas perversas que nos governam. É a corrupção de toda ordem, a busca desenfre-ada de poder, de prestígio ou do prazer, da satisfação momentânea.

A alguns desses mundos Jesus veio salvar, a outros ele condena. Nós corremos o risco de, às vezes, confundirmos as coisas.

A Palavra

A Primeira Leitura nos dá esta interpretação da história: os sofrimentos são o castigo previsto pelos profetas, o momento bom também foi previsto pelos profetas. No fundo, em todas as circunstâncias Deus está presente.

Um pensamento forte da epístola aos Efésios, especialmente do trecho que vamos ouvir na Segunda Leitura, é a gratuidade da salvação. Cristo é o centro de tudo, nele e com ele, Deus nos salva gratuitamente, sem levar em conta nossas obras.

No Evangelho, Jesus conversa com Nicodemos, o mestre de Israel. São os cris-tãos conversando com os mestres fariseus da época. Para eles, a cruz é maldição. Não lhes entrava na cabeça o pensamento de uma salvação que viesse de um crucificado.

Por outro lado, a salvação que esperavam era só para eles e se resumia em uma vida mais agradável. A salvação para eles não tinha alcance mundial nem ia à raiz mesma dos os problemas, o pecado, ou seja, a cobiça e o orgulho.

O homem pendurado na cruz como a serpente de bronze da tradição bíblica tira o veneno da cobiça e do orgulho. Jesus veio salvar a humanidade capaz de acreditar no crucificado. O mundo que não aceita esse caminho já está condenado, preferiu a cobiça, a competição, a violência. O amor revelado na cruz condena tudo isso. É a transparência da luz. O mundo que prefere a obscuridade da corrupção já se condenou.

O Mistério

A Eucaristia celebra a salvação, a partilha de si que faz a fraternidade verdadeira. Comer deste pão é deixar-se também partir em pedaços para que a salvação chegue a todos, para que o mundo se convença de que esse é o caminho, enquanto a chegada é a mesa comum.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende