4º Domingo da Quaresma

Os Textos

1ª Leitura – 1Sm 16,1b.6-7.10-13a

Salmo – Sl 22,1-3a.3b-4.5.6 (R. 1)

2ª Leitura – Ef 5,8-14

Evangelho – Jo 9,1-41

A Realidade

Frequentemente a pessoa que muda de filiação religiosa ou política sente-se como quem mudou de guia. Era guiado por uns, agora será guiado por outros. Quando não é a um dirigente político ou religioso que a pessoa segue como um cego a seu guia, é ao que diz a televisão. Há pouco, num evento cultural no Rio de Janeiro, um roteirista da Globo disse que, quando o comando reúne roteiristas, diretores, autores, sempre começa dizendo: “Está na hora de emburrar, de fazer a todos burros!”.

 A Palavra

O Evangelho de hoje inúmeras vezes diz que o homem era cego de nascença. Nasceu cego, foi sempre guiado por outros. Os fariseus, que se consideravam os guias, não querem perder o seu cego, não querem admitir que Jesus lhe tenha aberto os olhos ou, então, que abrir os olhos aos cegos seja coisa de Deus. Eles é que sabem, eles sabem tudo.

Mas o Batismo é uma iluminação, tornar-se cristão é abrir os olhos, é enxergar por si mesmo, é dispensar os guias. Jesus unge os olhos do cego com o barro feito da saliva de sua boca e do pó do chão. Lavado na água do “enviado”, quem era cego começa a enxergar por si mesmo.

O barro lembra a criação do ser humano. Abrir os olhos faz que a pessoa seja mais gente, cria novamente o ser humano. O antigo cego, agora, enxerga melhor do que seus antigos guias. Diz-lhes: “É de espantar os senhores não saberem de onde é este homem!”. Os fariseus que diziam enxergar, saber tudo, ser os guias, agora são os cegos e permanecem no seu pecado.

O antigo cego vê Jesus e reconhece nele o Ser Humano, o Filho do Homem, o Enviado de Deus, chama-o de Senhor e diante dele se ajoelha. A narrativa da escolha do menino Davi para ser o rei de Israel (1ª. L.) mostra que Deus enxerga diferente de nós. Vemos as aparências, Deus vê o interior, o fundo das pessoas.

O Mistério

Para participar efetivamente da Eucaristia é preciso ver, enxergar, ver e enxergar o que está por trás desses sinais. Não preciso de paramentos chiques nem de ostensório caríssimo para aumentar a minha fé. Preciso apenas ser capaz de, naquele pedacinho de pão erguido acima de um modesto cálice, enxergar a morte, a separação do corpo e do sangue, que tira o pecado do mundo, que liberta a humanidade, enredada na cobiça.

José Luiz Gonzaga do Prado