4º Domingo do Advento

1-advento

Os Textos

1ª Leitura – Is 7,10-14

Salmo – Sl 23,1-2.3-4ab.5-6 (R. 7c e 10b)

2ª Leitura – Rm 1,1-7

Evangelho – Mt 1,18-24

A Realidade

Dizem os teóricos do capitalismo: ninguém faz nada sem interesse. O padeiro levanta de madrugada todo dia para fazer pão, não para servir ou agradar os clientes, mas para ganhar dinheiro. Ninguém faz nada sem interesse, é o interesse que move o mundo, é a energia do lucro e da vantagem individual que faz funcionar a máquina da sociedade.

A Palavra

Todo filho traz à mãe a lembrança do pai. A Maria, porém, Jesus não lembra José, lembra o Espírito de Deus, não lembra uma experiência vivida com o marido, lembra Deus que a quis. Seu amor ao filho não passa pelo amor do marido, vai direto ao Filho. Seu amor a Jesus é isento que qualquer segundo interesse, é totalmente puro.

O filho da virgem mãe será chamado Emanuel. No diálogo de Isaías com Acaz (1ª. Leitura) esse nome poderia lembrar apenas um grito de guerra. Aqui tem significado pleno. Ele é Deus conosco, não apenas para nos dar ânimo, como a aclamação guerreira pretendia, mas é a presença de Deus no meio da humanidade, é Deus que vem caminhar com a gente.

José era um homem justo. Sua justiça, porém, não se reduzia àquela coisa pequenina de só ver a lei. Se só visse a lei, teria denunciado Maria publicamente. Sua justiça, muito além da lei, era reger-se pelos critérios de Deus, pai de todos, que respeita a todos, que entende e compreende todos. Sua justiça “superava a justiça dos escribas e fariseus”.

Maria passa quase despercebida. É a figura principal e a gente quase nem nota. É a figura principal exatamente por isso, porque não pretende aparecer, não está em busca dos holofotes nem das câmeras. É a figura principal porque foi na sua humildade, em todos os sentidos, que Deus quis se fazer presente na humanidade.

Nosso amor não é puro, nada fazemos sem um pouco de interesse próprio, sem uma ou mais segundas intenções. A fecundidade de Maria é tão grande a ponto de gerar Deus, porque é virginal, porque é pura, isenta de qualquer segunda intenção.

O Mistério

Na Eucaristia celebramos a entrega desinteressada que Jesus faz de si mesmo à mais humilhante das mortes. Servindo sem buscar ser servido, ele abre o caminho para a partilha desinteressada da comunhão. Com ele celebramos a virgindade fecunda de Maria.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende – MG