4º Domingo do Advento

9003advento- 1ª semana
Os Textos

1ª Leitura – 2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16

Salmo – Sl 88,2-3.4-5.27.29 (R.2a)

2ª Leitura – Rm 16,25-27

Evangelho – Lc 1,26-38

A Realidade

Por causa da crise, este Natal não será tão bom como o dos anos anteriores. É o que diz a televisão. Natal vale pelo consumo que provoca. Isso, porque consumo provoca produção e produção promove riqueza. Riqueza é o valor maior, acima de todos os outros, é o objetivo de todos e de tudo.

São Francisco inventou o presépio para lembrar o nascimento pobre de Jesus. A ternura do presépio fez do Natal uma grande festa. Uma grande festa é oportunidade de consumo. Quem quer vender, usa a festa. Mas o menino do presépio é muito pobre, não consome nem ajuda a consumir. Por isso ele é aposentado e dá lugar ao papai Noel.

A Palavra

No Evangelho de hoje o anúncio do nascimento de Jesus é feito a Maria, mulher, jovem, pobre e de uma aldeia desprezada. Ao contrário do que ocorria naquela sociedade machista, é ela quem dá nome ao filho. Além disso, o anjo explica e fica esperando a decisão dela. Hoje, mulher, jovem, pobre e da roça tem direito a dar alguma decisão?

Seu filho realizará as melhores esperanças da humanidade toda. Seu nome significa Deus salva e ele é apresentado como grande rei, que vai governar para sempre. Ele realiza as esperanças depositadas num filho, uma dinastia ou uma “casa”, prometido a Davi, que pensava construir uma casa para Deus (1ª. Leitura).

Maria não está pensando em grandeza. Já na saudação, fica embaraçada, calculando o que significariam aquelas palavras dirigidas a ela, tão pequena. Depois do anúncio, não pensou nas grandezas de seu possível filho. O evangelista dá a entender que ela tinha o propósito de se manter virgem. Isso era importante para ela, isso ela considerava um apelo de Deus, mais válido do que a aparição de um mensageiro do céu.

O projeto de Deus (2ª. Leitura) é salvar através do pequeno, o que é incompreensível para os homens, mas revelado em Jesus, o Messias crucificado.

O Mistério

A pequenez da Missa mostra o mistério (projeto sigiloso de Deus) que se celebra. Celebramos a salvação que não vem da riqueza nem do consumo, mas da pequenez e da obscuridade de Nazaré. Celebramos o que para uns é tolice para outros, um absurdo, o fracasso da cruz que faz a partilha no meio de um mundo “dividido em contínua discórdia”.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende