Destaques › 18/03/2015

55 anos da Dedicação da Catedral de Guaxupé

catedral1Nesta quinta-feira, 19 de março, comemora-se os 55 anos da Dedicação da Catedral Diocesana Nossa Senhora das Dores. Em toda a diocese, a data é comemorada liturgicamente como festa, enquanto na própria Catedral é celebrada como solenidade.

Embora em 1960 as obras não estivessem completamente concluídas, a pedido de dom Inácio João Dal Monte, OFMCap, a Catedral foi sagrada pelo então Núncio Apostólico no Brasil, dom Armando Lombardi.

Segundo o historiador Wilson Remédio Ferraz, do dia 14 ao dia 17 de março de 1960 aconteceu o tríduo preparatório: às 6h30min da manhã houve Missa e comunhão, às 18h30min houve Missa vespertina, sermão e benção do Santíssimo.

Dom Armando chegou em Guaxupé no dia 18, por volta das 10 horas da manhã, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e às 17 horas daquele dia inaugurou o Seminário São José. Às 20 horas foi homenageado pelos seminaristas.

No dia 19, dom Armando celebrou uma Missa na capela do Seminário, às 7 horas da manhã. Às 18 horas deu-se início a solene cerimônia de sagração do novo templo. No dia seguinte (20), às 7 horas da manhã houve a sagração do altar mor, seguido de potificial solene, pelo bispo diocesano de Guaxupé, dom Inácio.

A Igreja Catedral tem grande significado simbólico para a diocese. Nela está a cátedra do Bispo, sinal da sua missão de pastor e de mestre da fé para a Igreja particular ou diocese e sinal também de unidade e comunhão dos crentes na mesma fé.

O Vaticano II apresenta a Igreja como o Povo de Deus reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo (LG 4). É muito importante notar que ao fazer a reflexão sobre a Igreja, o Concílio não se limitou àquilo que é visível como, por exemplo, a sua organização, mas foi até o mistério, isto é, à fonte de onde jorra a Igreja: a comunhão da Santíssima Trindade.

Segundo o cardeal arcebispo da Arquidiocese de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, “há vários motivos pelos quais a Igreja destaca, na sua Liturgia, o aniversário da dedicação dos templos. O templo ‘dedicado’ representa, de maneira especial, o lugar sagrado que reservamos para Deus entre as nossas casas e os ambientes de vida e trabalho. Desejamos sua presença e companhia: Deus tem um lugar entre nós. Além disso, o templo é um marco, um sinal de que Deus está, de fato, entre nós e que queremos orientar nossa vida para Ele. Uma cidade sem templo poderia indicar que seus habitantes não têm lugar para Deus entre eles, talvez porque rejeitam a sua companhia… Há ainda um significado muito importante nos templos, como aprendemos de São Paulo: ‘o templo de Deus sois vós e o Espírito Santo habita em vós’. Nós fomos dedicados, ou consagrados a Deus no dia do batismo. Por isso, nós mesmos somos morada viva de Deus. São Pedro ensina que cada um de nós é ‘uma pedra viva na edificação do templo espiritual’, que é a Igreja de Cristo”, disse.

O novo Ritual recupera a riqueza do rito da dedicação, inserindo-o dentro da celebração eucarística, que na igreja primitiva era em si, a própria dedicação. Na celebração da dedicação, o povo dá graças à Santíssima Trindade, porque neste lugar reside à glória do Senhor, é lugar de oração e súplica, de culto e adoração, de graça e santificação. É o lugar onde o povo cristão busca o Deus vivo e verdadeiro. A oração de dedicação tem justamente o objetivo de indicar que a igreja é dedicada a Deus. A igreja catedral é o lugar privilegiado de encontro com Deus, onde se recebe o tesouro da fé, partindo do batismo.

A celebração do aniversário da dedicação da Igreja Catedral, contribui para melhor realçar a importância e dignidade da Igreja particular ou Diocese. O espaço celebrativo é o lugar onde acontece a ação litúrgica da assembléia cristã. Este espaço é a domuns eclesiae, a casa da Igreja, o espelho da própria assembléia reunida. O vocábulo “catedral” deriva do grego “Káthedra”, que se traduz como “cadeira” do bispo. No latim, a expressão “ecclesia cathedralis” é utilizada para designar a igreja que contém a cátedra oficial de um bispo. O adjetivo cathedra foi ao longo dos tempos assumindo o caráter de substantivo. Hoje é o termo mais comumente utilizado para designar estas igrejas. A designação “ecclesia cathedralis” foi aparentemente utilizada pela primeira vez nos atos do Concílio de Tarragona em 516. Outra designação que era utilizada para “ecciesia cathedralis” era “ecciesia mater”, ou “Igreja-Mãe”, indicando-se assim que esta seria a Igreja “Mãe” da Diocese.

Nos primeiros séculos do cristianismo, a cátedra foi objeto de muita veneração. No século II, Tertuliano aconselhava os cristãos a visitar as igrejas apostólicas nas quais estavam as cadeiras dos apóstolos. Santo Agostinho, no século V, destacava a importância das comunidades cristãs que mereceram possuir as sedes dos apóstolos e receber suas epístolas.

Esta veneração levou a dedicar festas especiais para honrar a cátedra de São Pedro em Roma e em Antioquia, veneração esta que continuou para as cátedras dos bispos, sucessores dos apóstolos. Daí a importância que adquiriu a igreja onde estava a cátedra do bispo. Em todas as dioceses do mundo, a catedral é lugar de referência da fé, e lugar sagrado onde os fiéis de uma igreja particular se reúnem especialmente por alguma significativa celebração para exprimir e proclamar a própria fé é a própria unidade em Cristo. A catedral é o centro eclesial e espiritual da Diocese. A catedral é o símbolo visível da unidade de toda a comunidade cristã.

Leia sobre a história da Paróquia Nossa Senhora das Dores – Catedral