Ascensão do Senhor

Os Textos

1ª Leitura – At 1,1-11

Salmo – Sl 46,2-3.6-7.8-9 (R.6)

2ª Leitura – Ef 1,17-23

Evangelho – Mt 28,16-20

A Realidade

Dizem que na implantação do ateísmo na Rússia, funcionários do governo entravam numa sala de aula e mandavam uma criança rezar o Pai Nosso. Depois dizia: “Você pediu o pão a Deus. Ele lhe deu? Não! É o governo que lhe dá o pão.”.

O pensamento é que a ideia de Deus só serve para iludir as pessoas, alienar, fazer com que esqueçam os problemas e as responsabilidades pelo bem comum. A religião era chamada de ópio do povo, hoje a gente diria “droga popular” ou “droga psicológica”.

Será que não há aí uma ponta de razão. Para alguns a religião não é um meio de “viajar” para longe desse mundo e suas mazelas? Jogar para Deus a solução dos problemas não será um jeito de fugir das próprias responsabilidades?

A Palavra

Na narrativa da Ascensão na Primeira Leitura, observamos duas reações dos discípulos. Uma é de pensar que Jesus sizinho vai retomar o poder para Israel. Depois será a de ficar olhando para o céu. Os dois homens que lhes aparecem perguntam por que estão olhando para o alto. É preciso olhar para o chão da vida.

Nem vai se resolver o atual problema social e político em Israel, nem é para ficar olhando para o alto. Agora é a hora e vez de os discípulos olharem para sua tarefa e missão neste mundo. Jesus agora só será visto quando “vier nas nuvens do céu”, no momento final da história.

No Evangelho, os Onze vão para a Galileia, à montanha indicada por Jesus. É a montanha do Sermão, onde Jesus deu a sua Lei? Será a montanha onde, ao subir para Jerusalém, mostrou sua vitória na transfiguração? Ou são todas as montanhas da Galileia, onde ele formou sua comunidade. Aí ele deixa para os discípulos (nós) a tarefa de fazer discípulos missionários em todas as nações.

Um significado maior da Ascensão aparece na Segunda Leitura de hoje. Jesus, nosso irmão e nossa cabeça, é colocado acima de toda e qualquer autoridade ou excelência deste mundo ou do outro.

O Mistério

A celebração semanal da Eucaristia nos lembra nossa missão: mostrar ao mundo, governado pelo egoísmo, a salvação que vem do amor, do humilde serviço gratuito a todos. “Este mundo dilacerado por discórdias” só será a mesa de irmãos, se a gente fizer “o mesmo que ele fez naquela Ceia derradeira”, partir-se em pedaços e dar o sangue pelos pecadores.

José Luiz Gonzaga do Prado

Nova Resende – MG