Destaques, Formação, Liturgia › 21/03/2017

A Eucaristia como penhor de vida eterna

Por padre Marcos Ferreira

MarquinhoFalar da Eucaristia como penhor de vida eterna é fundamentalmente fazer memória do dia da Ressurreição de Cristo: o domingo. O evangelista Lucas nos mostra de maneira sublime este dia com a narrativa dos dois discípulos de Emaús. “Eis que dois deles viajavam nesse mesmo dia para um povoado chamado Emaús, a sessenta estádios de Jerusalém” (Lc 24,13). Este mesmo dia que se refere é o primeiro dia da semana, o domingo, o qual nos é evidenciado pelo evangelista ao começar esta narrativa da ressurreição do Senhor. “No primeiro dia da semana, muito cedo ainda, elas foram ao sepulcro, levando os aromas que tinham preparado. Encontraram a pedra do túmulo removida, mas, ao entrar, não encontraram o corpo do Senhor” (Lc 24,1-3).

A Eucaristia dominical tem este inequívoco ponto de referência bíblico a partir da ressurreição. Por isso, é imprescindível a participação na Celebração Eucarística aos domingos. O domingo é o dia do Senhor como foi definido desde o tempo dos apóstolos. O domingo é a Páscoa semanal do cristão. É o dia de viver a catolicidade da fé de maneira sacramental. Toda comunhão eucarística conduz o cristão a uma união mais íntima com o Ressuscitado. Assim, há uma necessidade urgente de resgatar o sentido eucarístico do domingo, enquanto dia dedicado totalmente a Deus ao participar ativamente da Eucaristia e, também dia do descanso e do convívio familiar.

O Papa São João Paulo II, em sua carta apostólica Dies Domini, aponta-nos o sentido bíblico de consagrar o domingo a Deus e ao descanso com a família, ao afirmar que o domingo “é convite a reviver, de algum modo, a experiência dos dois discípulos de Emaús, que sentiram ‘o coração a arder no peito, quando o Ressuscitado caminhava com eles, explicando as Escrituras e revelando-Se ao ‘partir do pão’ (cf. Lc 24,32.35)”. Por isso, em cada Eucaristia dominical a Igreja comemora o dia da ressurreição de Cristo, e tem o intuito de levar os fiéis a uma profunda experiência eucarística que se fundamenta na fé pascal. No domingo, não é dia do pai ou da mãe perguntar se os seus filhos querem ir à Missa ou não. Esta pergunta nunca deve sair da boca de pais e mães que se comprometem a catequizar de maneira amorosa os seus filhos. Pois, se participar da Eucaristia em família é importante, não se pergunta aquilo que já tem como certeza sacramental a ser cultivada em família.

A responsabilidade com a fé dos filhos é o fruto de saber transmitir aquilo que é importante para a vida deles. Nesta mesma perspectiva pode-se afirmar sobre os cônjuges: o casal deve se organizar e, ao escolher um horário dominical para participar da Eucaristia nenhuma das partes pode ficar arrumando desculpas para não ir à Missa. É do conhecimento de todos que a organização do tempo chega a ser um dos maiores desafios da atualidade. Há várias razões. Uma delas é a jornada de trabalho. Não só a quantidade de horas trabalhadas, mas também os dias e os horários chegam a ser um desafio. Mas nunca pode se tornar um empecilho.

Sendo o domingo a Páscoa semanal dos cristãos, a Eucaristia será sempre este penhor de vida eterna, a ação de graças, que move os corações dos homens e das mulheres para o Cristo que se deu por nós como “pão da vida”(Jo 6,35). O coração do domingo está na participação da Eucaristia. Pois, a Eucaristia situa-se no centro da sacramentalidade da Igreja. Está estritamente ligada à Igreja da qual é o alimento. Isto implica que a participação dominical da Eucaristia não se esgota em um ir à igreja e voltar para casa do mesmo jeito. Mas, em sentir-se comprometido com a causa do Reino de Deus. É participar da vida missionária da Igreja peregrina neste mundo rumo à Jerusalém Celeste.  A Eucaristia é, com efeito, o pão mais verdadeiro que existe. É o próprio Cristo que se dá pela salvação do mundo. E, quem comunga deste Pão precisa ser sinal vivo de Deus. Assim, a existência eucarística suscita, pela ação do Espírito Santo, a comunhão, o testemunho e o serviço a Deus e ao próximo. Para isso acontecer, é, e sempre será imprescindível santificar o domingo, enquanto dia do Senhor e Páscoa do cristão. Deixemo-nos envolver pelas palavras de São Jerônimo: “o domingo é o dia da ressurreição, é o dia dos cristãos, é o nosso dia”.