Querigma › 28/06/2016

A fé dos primeiros cristãos para os nossos dias

querigmaPor padre Marcos Ferreira

Falar da fé dos primeiros cristãos não implica em uma simples recordação do passado. Implica em perceber que a fé cristã está dentro da história salvífica anunciada por Jesus Cristo. Nesta história, os cristãos sempre foram chamados a testemunhar o Evangelho como fizeram as primeiras comunidades cristãs, pois no início do cristianismo o testemunho do Evangelho era a causa essencial da espiritualidade para a Igreja nascente.

A Didaqué (palavra grega que significa: “ensino”, “doutrina”, “instrução”), o catecismo dos primeiros cristãos, é um escrito de suma importância para os cristãos do século XXI relerem a história da fé cristã de maneira mistagógica e, envolverem-se totalmente com o Mistério da Vida, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Esse catecismo das primeiras comunidades cristãs afirma que viver é amar a Deus. E assim diz: “O caminho da vida é este: Em primeiro lugar ame a Deus, que criou você. Em segundo lugar, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça a outro nada daquilo que você não quer que façam a você”.

A fé dos povos cristãos estava alicerçada nestas três dimensões: oração pessoal, vida em comunidade e celebração dos sacramentos, Batismo e Eucaristia. Certamente a afirmação acima não é uma novidade para os cristãos de hoje. Mas com certeza, deve levá-los a refontizar (voltar às fontes) sua espiritualidade na Palavra de Deus e nos sacramentos. E, essas três dimensões devem ser também um renovar-se constantemente em Deus todo amoroso: o criador de todas a criaturas, e a sustentação profética da comunidade cristã.

Guiados pelo Espírito e pela Palavra, que estas três dimensões da fé sejam para os cristãos de hoje um tesouro que merece ser carregado com muito zelo (cf. 2Cor 4,7-18), mesmo que as tribulações dos dias atuais venham ameaçá-lo; o amor a Deus seja alimentado sempre com a participação na Eucaristia; e que este sacramento maior de nossa Igreja seja vivido com fé, esperança e caridade: Fé que se renova diante das tempestades, Esperança que não se cala nas tribulações e Caridade que é razão do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.