Notícias, Sem categoria › 11/11/2016

Assembleia de Pastoral discute impactos ambientais e família

Da Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Belo Horizonte

Cerca de 140 arcebispos, bispos, coordenadores diocesanos de pastoral, representantes de presbíteros, leigos e leigas de Minas Gerais e do Espírito Santo estiveram reunidos, entre 8 e 10 de novembro, em Belo Horizonte (MG) para a Assembleia Pastoral do Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.  Representando a Diocese de Guaxupé, estiveram o bispo dom José Lanza Neto, os padres Henrique Neveston e César Acorinte e o leigo Edon Fonseca Borges, representando os leigos.

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Neste ano o tema é a exortação apostólica Amoris Laetitia – sobre o amor na família,  do Papa Francisco. Durante a Assembleia, os bispos refletiram à luz das orientações do Santo Padre e do Documento 100 da CNBB, de título Comunidade de Comunidades: uma nova paróquia. Conforme explica o presidente do Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Paulo Mendes Peixoto, arcebispo de Uberaba (MG), a Igreja busca ser cada vez mais acolhedora, fraterna, superando posturas condenatórias. Dom Paulo lembra também que a Assembleia é oportunidade para fortalecer a unidade entre as dioceses que integram o Regional Leste 2 , o segundo maior do Brasil.

Para o bispo de Divinópolis (MG) e secretário do Regional Leste 2,  dom José Carlos de Souza Campos, a Igreja é permanentemente desafiada a responder às demandas de cada tempo. “Jesus e o Evangelho são os mesmos, devemos anunciá-los às novas realidades”, afirma o bispo, acrescentando que a Assembleia é oportunidade para a reflexão de desafios comuns às dioceses. “Assim, podemos agir nos mais diversos campos da sociedade”, diz. Dom José Carlos lembra que o encontro é oportunidade para revisitar questões ecológicas, a exemplo do desastre ambiental ocorrido em Mariana (MG), no distrito de Bento Rodrigues. “A Igreja precisa fazer ecoar o grito que pede socorro e o cuidado com a Casa Comum”, destaca dom José Carlos.

Dom Joaquim Wladmir Lopes Dias, vice-presidente do Regional Leste 2 e bispo de Colatina (ES), uma das cidades mais impactadas com o desastre ambiental, se recorda do sofrimento das pessoas diretamente atingidas, a exemplo dos pescadores e pequenos agricultores, que perderam o meio de subsistência, além das pessoas que ficaram sem suas casas. “Já faz um ano que a barragem se rompeu e ainda não temos um laudo definitivo sobre a qualidade da água que a população consome”, lamenta o Bispo.

Sobre a ênfase da família no mundo contemporâneo, o bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom João Justino de Medeiros Silva, ressalta o que pede o Papa Francisco em sua exortação apostólica: o acompanhamento das famílias. “Isso significa criar proximidade, escutar, conhecer realidades, trazer as famílias para as comunidades”. Para isso, dom João observa a importância de se “vencer preconceitos que muitas vezes são base para posturas muito rígidas”. A meta, conforme pontua o bispo, “é seguir as orientações do Papa Francisco e ir ao encontro do outro.”

Para a assessoria do tema central encontro foi convidado o padre Antonio Tatagiba, vigário geral da diocese de Cachoeiro do Itapemirim (ES). Padre Tatagiba destacou pontos importantes da exortação do Papa que trata, principalmente, do amor na família: “a realidade é mais importante que a ideia. Temos a visão ideal do que deveria ser a família, mas existem muitos modelos e precisamos evitar que a ideia esteja separada da realidade. O caminho sinodal é importante para analisar a situação das famílias, alargar perspectivas e reavivar a consciência sobre a sua importância”.

Para um aprofundamento da reflexão, os participantes se reuniram em grupos, separados por províncias eclesiásticas, para discutir o tema. Foram propostos os seguintes questionamentos: como o planejamento pastoral, inclusive a Pastoral Familiar, tem levado em consideração o critério “de que o tempo é superior ao espaço”; a concretização da carta apostólica Mitis Ludex Dominus Iesus nas diversas realidades, o processo de a paróquia ser um rede de “comunidade de comunidades”.

Durante o encerramento da Assembleia, nessa quinta (10/11), foi apresentado o documentário O Bento – Terra da Gente, uma produção da pela TV Horizonte, emissora da Rede Catedral de Comunicação Católica, que retrata, um ano após o desastre, a vida das pessoas afetadas pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG). O documentário mostra como a fé e a devoção de um povo são capazes de manter a união e a esperança de reconstruírem suas vidas.

O coordenador de pastoral da Arquidiocese de Mariana, padre Geraldo Martins, contextualizou o tema central da Assembleia a Exortação Apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco, que trata, principalmente, do amor na família, com a situação das mais de 500 pessoas que ficaram desabrigadas após o rompimento da Barragem. De acordo com o padre Geraldo, as famílias estão recebendo acompanhamento espiritual da Arquidiocese de Mariana, para que se fortaleçam na fé. Também contam com o apoio de grupos que se organizam para defender seus direitos. “Depois  de um ano, a situação ainda é difícil. Estas famílias precisam ser reassentadas. Elas perderam todos os bens materiais. Mas o que mais nos preocupa é o cuidado com a saúde física e mental. O preconceito e a discriminação também são aspectos cruéis. São pessoas simples, que precisam recomeçar”.

Representando a Pastoral da Sobriedade, Maria da Penha Martins, que participa da Assembleia pela quarta vez, ressaltou a importância de se discutir questões sobre as famílias, principalmente nas pastorais, para um trabalho conjunto ainda mais eficaz. “Hoje já trabalhamos em sintonia com as pastorais Familiar, Catequese e Juventude. E esperamos reunir outras pastorais para que possamos estar cada vez mais próximos das famílias, auxiliando do que for preciso”.