A caminho do Centenário

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Por Padre Luiz Gonzaga Lemos

 A caminhada da Diocese de Guaxupé pode ser considerada em duas etapas: antes e depois do Concílio Vaticano II. Antes, caminhávamos com toda a Igreja numa pastoral de conservação, apenas com a finalidade de conservar a fé dos que tinham sido batizados. Ainda não era bem entendido o trabalho missionário como um trabalho da paróquia ou da diocese em si, mas somente nos ambientes “fora da Igreja”, nas terras de missão, como se dizia.

Pensava-se que quem já tivesse tido um contato com o cristianismo já estaria evangelizado e só precisava ser catequizado. Bastava o cuidado com as associações que já existiam na Igreja do Brasil. Destacava-se entre elas o “Apostolado da Oração” e outros movimentos populares também muito fortes existentes em várias paróquias da diocese: “Ligas Operárias Jesus, Maria e José”; “Associação do Divino”; “Congregação Mariana”; “Filhas de Maria”, “Vicentinos” e, mais tarde, “Legião de Maria”.

Nos anos de 1950, surgiu no Brasil um movimento de renovação da Liturgia valorizando a participação na celebração da Missa e renovando a fé do povo. Com a chegada da JOC (Juventude Operária Católica) no Brasil, a diocese teve um novo impulso, além dos outros ramos da Ação Católica.

Quando chegou o Concílio Vaticano II, foi uma grande reviravolta. Nós ainda não estávamos muito bem preparados para tamanha abertura para outros tipos de trabalhos pastorais, principalmente para os de cunho mais social. Ainda não sabíamos como influenciar evangelicamente a sociedade, como um fermento na massa.

Logo após o Concílio, a diocese se lançou num trabalho de catequese que foi referência no Brasil. Ainda nas décadas de 1960/70 realizamos uma Assembleia Diocesana só com os padres e, que infelizmente, não produziu muitos resultados. Houve um esfriamento quase geral e a dificuldade de encontros mais frequentes acabaram invalidando o esforço realizado.

Só recentemente nossa diocese foi se organizando em Conselhos Pastorais. Tudo isso surgiu daquele ideal de colocar a diocese de acordo com o Concílio e daqueles primeiros passos na divisão da diocese em setores para melhor atingir a todos os diocesanos. Aos poucos fomos sentindo que os leigos podiam também ajudar a Igreja nos seus trabalhos, não só como catequistas ou participantes dos movimentos, mas também na evangelização e administração paroquial e diocesana. Ainda precisamos caminhar muito para que o equilíbrio se estabeleça e a nossa diocese seja uma flor em toda a sua pujança para ser colocada no altar do Cristo. Mas todos nós sabemos que o caminho só se abre na medida em que caminhamos. E com muita alegria colocamos a diocese nas mãos daqueles que realmente querem levá-la adiante por mais 100 anos depois desses 100 primeiros.