Animação Vocacional › 11/03/2016

Chamados a ser “Misericordiosos como o Pai”

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Um dos gestos marcantes do Papa neste Ano Santo da Misericórdia foi o incentivo para que todas as dioceses reservassem em suas catedrais e santuários uma porta para que os fiéis recebessem indulgência. Contudo, se as portas dos corações não estiverem de fato abertas, pode-se apenas cumprir ritos, e este ano Santo terá seu significado prejudicado. Em Lucas, diz Jesus: “Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus filhotes debaixo das asas, e tu não quiseste…” (Lc 13,34). Esta é uma imagem bem simples que demonstra quão grande é o amor de Deus por cada um de seus filhos e, ao mesmo tempo, revela como ainda somos esquivos da misericórdia do Pai.

A parábola do Pai misericordioso é exemplar. Nessa, o Pai atrai o filho esbanjador com sua misericórdia, pois do contrário o filho nunca tornaria aos braços paternos. Já o filho mais velho é o protótipo daqueles, mesmo se dizendo da casa do Pai, incapazes de apreender dele seu maior ensinamento. Esse é figura de quem não quer se configurar à misericórdia. Resta a questão: quem sou eu nessa parábola: aquele que se abre à misericórdia e aprende ser misericordioso ou aquele que vive na casa do Pai, mas não sabe o que é misericórdia?

Em verdade, todos os batizados são vocacionados à misericórdia, isto é, todos são chamados a ser um reflexo da misericórdia de Deus na vida do outro. Por vezes, apenas pensamos em lucrar a misericórdia de Deus e nos esquecemos de sermos o rosto da misericórdia do Pai para o outro. É preciso se configurar ao Deus revelado por Jesus Cristo. De fato, o esposo deve ser o rosto da misericórdia divina para sua esposa, e vice-versa; da mesma forma, os pais para os filhos e os filhos para os pais. E os sacerdotes e religiosas então?! Devem ser o reflexo da misericórdia para os fiéis! Ah, se nossa realidade fosse mais misericordiosa como Deus é misericordioso! Uma frase atribuída a São Francisco de Assis resume essa ideia e provoca uma atitude pessoal de cada fiel: “Tome cuidado com a sua vida, talvez ela seja o único Evangelho que as pessoas tenham”.

De forma particular, àqueles que servem a Igreja “in persona Christi Capitis” e àqueles que querem servir dessa forma o Povo Santo de Deus, a misericórdia é um imperativo, pois como recordou o Papa no documento de convocação para o Ano Santo da Misericórdia “A arquitrave que suporta a vida da Igreja é a misericórdia. Toda a sua ação pastoral deveria estar envolvida pela ternura com que se dirige aos crentes”.

Que esta quaresma de 2016, bem como as festas pascais que se aproximam, incomodem os católicos de modo particular na vivência do Ano Santo da Misericórdia, a fim de que não se cumpra apenas o venerável exercício de busca de indulgências, mas que, de fato, o homem abra seu coração à misericórdia do Deus Crucificado-Ressuscitado. Que cada fiel seja uma centelha da misericórdia do Pai no calvário de quem sofre.

Por Dione Piza, seminarista estagiário.