Destaques › 01/08/2017

Dom José de Almeida: Centenário do Nascimento

Por Guilherme Ribeiro

José Alberto Baptista Pereira nasceu na cidade de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro no dia 26 de julho de 1917. Filho de Balthazar Bernardino Pereira e Maria Carolina de Almeida Baptista Pereira.

Aos 11 anos de idade ingressou no Seminário São José em Niterói (RJ), onde fez o seminário menor cursando o Ensino médio. Os estudos de filosofia e teologia foram realizados no Seminário Central do Ipiranga, em São Paulo. Foi ordenado sacerdote no dia 22 de fevereiro de 1940, com a idade de 23 anos.

Como sacerdote exerceu inúmeros cargos em sua diocese. Foi professor, reitor do Seminário São José de Niterói, e entres os anos de 1951-1953, foi vigário ecônomo da Paróquia de São Lourenço, em Niterói.

No dia 22 de dezembro de 1953, o Papa Pio XII nomeou o padre José de Almeida bispo titular de Baris na Pisídia, e auxiliar para a Diocese de Niterói. O filho do clero diocesano de Niterói foi honrado com a missão de Sucessor dos Apóstolos. A Sagração Episcopal ocorreu no dia 2 de fevereiro de 1954, Dom José adotou como lema IPSA CONTERET (Ela esmagará), à luz de Gênesis 3,15b.

Por apenas um ano e nove meses exerceu seu múnus episcopal na Diocese de Niterói, como auxiliar de Dom João da Matha de Andrade e Amaral. O mesmo papa que o fez bispo, agora o nomeia para a recém-criada Diocese de Sete Lagoas no estado de Minas Gerais. Tomou posse como primeiro bispo no dia 7 de novembro de 1955, permanecendo até 1964. Governando a Diocese de Sete Lagoas por quase 11 anos.

Dom José participou de todas as Sessões do Concílio Vaticano II. As duas primeiras (1962-1963) como bispo residencial de Sete Lagoas e as duas últimas (1964-1965) como bispo residencial de Guaxupé.

Após a morte de Dom Inácio, ocorrida em 29 de maio de 1963, a Sé Episcopal de Guaxupé ficou vacante. Monsenhor Marco Antônio Noronha foi o vigário capitular, função que hoje se denomina Administrador Diocesano. Em 2 de abril de 1964, o Papa Paulo VI nomeou Dom José de Almeida, quinto bispo de Guaxupé. O clero de Guaxupé acolhe com alegria e entusiasmos a notícia, boa parte desse já o conhecia, pois o mesmo já havia pregado um retiro espiritual.

Sua Excelência tomou posse no dia 1º de maio, memória litúrgica de São José Operário. “Chegou às 17 horas na sede episcopal de Guaxupé, vindo de Pouso Alegre, acompanhado pelo arcebispo metropolitano, Dom José D’Angelo Neto. Foi recebido com muita festa. Em frente ao Palácio Episcopal, o esperavam o respeitado cabido, o clero diocesano, seminaristas, representantes de vários bispos. Fez-se presente Dom Tomás Vaqueiro, bispo de São João da Boa Vista. Após calorosas aclamações, formou-se um cortejo rumo a Catedral, onde se realizou a cerimônia de posse”.

De acordo com os arquivos que dispomos, Dom José chegou à Catedral saudando com acenos e bênçãos os seus diocesanos. Dirigiu-se a Capela do Santíssimo e deteve-se em instantes de oração silenciosa. Em seguida, dirigiu-se a cripta e diante do túmulo de seu predecessor, Dom Inácio, manteve-se em oração, enquanto isso o coro entoava o Te Deum. Apresentou-se ao clero e aos fiéis como um bispo preocupado com a dimensão social.

O governo pastoral de Dom José de Almeida não foi muito tranquilo. O Concílio Vaticano II estava em andamento e após suas conclusões vieram às dificuldades de sua aplicação. Havia muito entusiasmo e esperança por boa parte do clero, mas havia resistências também. Em Guaxupé “seu apostolado, persistiu com inteligência, coragem e determinação para que o espírito do Vaticano II fosse insuflado nas veias do organismo diocesano e incentivou a execução de um Plano de Ação Pastoral com intuições proféticas e promissoras, ainda vivas no tempo presente”.

Dom José de Almeida era muito culto, buscava sempre atualizar-se. Incentivou o ensino religioso nas escolas e, sobretudo, a formação catequética em toda diocese. Segundo o padre José Luiz Gonzaga do Prado, era desejo de Dom José que os padres tivessem sólida formação, inicial e permanente.

A setorização da diocese iniciou-se em seu governo. Foram criados os setores: Guaxupé, Passos, Poços de Caldas e Alfenas. Eram os passos iniciais de uma igreja mais sinodal, com participação viva e eficaz dos fiéis leigos e do clero. Alguns padres que conviveram com ele afirmam que Dom José foi um homem simples, desapegado dos bens materiais, um bispo de personalidade grande e muito convicto de sua fé.

Monsenhor Hilário Pardini, decano do presbitério de Guaxupé, trabalhou bem próximo de Dom José, sobre ele afirma: “Dom José cumpriu com fidelidade essa grandiosa missão de orientar na diocese a aplicação do Concílio Vaticano II. Agiu sempre com firmeza e mansidão, com decisão e paciência, com determinação e respeito pelas pessoas. Sem ferir ninguém, sem provocar discussões e sem quebrar a unidade, as modificações foram introduzidas, a mentalidade mudou, a Igreja diocesana tomou novo aspecto, mais de acordo com as ideias do Evangelho explicitadas pelo Concílio”.

Dom José de Almeida governou a Diocese de Guaxupé por quase 11 anos. Realizou inúmeras visitas pastorais, criou quatro paróquias e dos sacerdotes ordenados por ele para o clero diocesano, quatro se encontram ainda em atividade pastoral.

Embora estivesse com 59 anos de idade, pediu renúncia do governo pastoral da Diocese de Guaxupé e esta foi aceita pelo Papa Paulo VI em 16 de janeiro de 1976. Dom José tornou-se o primeiro bispo emérito de Guaxupé. Mudou-se para a Diocese de Nova Friburgo (RJ), sendo acolhido por Dom José Clemente Isnard. Lá assumiu como pároco da Paróquia de São José do Ribeirão, no distrito de Bom Jardim. Por 16 anos cuidou da Paróquia de São José e ao atingir a idade de 75 anos deixou o ofício de pároco e foi residir em Nova Friburgo.

Sua família ofereceu ao altar do Senhor dois filhos sacerdotes, José de Almeida e José Newton de Almeida, que mais tarde seriam nomeados bispos. Dom José Newton era irmão mais velho de Dom José de Almeida, foi nomeado primeiro arcebispo de Brasília, faleceu em 2001 aos 97 anos de idade.

Dom José de Almeida faleceu no dia 30 de janeiro de 2009, acometido por câncer nos pulmões. Estava com 91 anos de idade. Faleceu prestes a completar 70 anos de sacerdócio e 55 anos de episcopado. Seu corpo foi velado na Catedral de Nova Friburgo e descansa na cripta da mesma catedral. Ainda hoje sua memória é preservada por muitos. Carinhosamente ficou conhecido como “Dom José I”, por causa da sucessão dos ‘Josés’ que ocorreu subsequente a seu governo pastoral.