Notícias › 15/09/2019

DOM JOSÉ LANZA CELEBRA MISSA NO PRESÍDIO DE ALFENAS

 Texto e Imagens: Pastoral da Pessoa Encarcerada, Paróquia São Pedro, Alfenas. 

Desde o início de seu papado, Francisco tem reiterado que a Igreja de nosso tempo deve ser uma Igreja em saída: “É vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo”.

O Documento de Aparecida – no qual Francisco, quando ainda era Arcebispo colaborou – em concordância com aquela afirmação, diz: “A Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias (…) Isso não depende de grandes programas e estruturas, mas de homens e mulheres novos, discípulos de Jesus Cristo e missionários de seu reino, protagonistas de uma vida nova(…)”.

Assim, grande é o significado e a força da visita de nosso Bispo Diocesano Dom José Lanza Neto, ao Presídio de Alfenas/MG, em 04 de setembro de 2019.

Dom Lanza, juntamente com Padre Éder Carlos de Oliveira, celebrou a Santa Missa no pátio interno e ministrou os Sacramentos do Batismo, Eucaristia e Crisma a nove encarcerados, dentre os mais de quinhentos que hoje são atendidos pela Pastoral da Pessoa Encarcerada, da Paróquia São Pedro Apóstolo.

Jesus sofreu a experiência da perseguição, da prisão, do julgamento e da condenação à pena de morte. Este sofrimento está presente, não somente entre os encarcerados e as condições desumanas do encarceramento no país, mas também entre o número cada vez maior de famílias que vivenciam esta realidade. São pais, mães, irmãos, esposos(as), filhos(as) e amigos(as), muitas vezes, tristemente surpreendidos com a prisão de alguém tão próximo e querido. Não nos cabe aqui, elencar as motivações ou discorrer sobre o contexto social que, talvez, nunca nos darão um porquê deste encarceramento, nem tampouco dos crimes cometidos contra a sociedade.

Jesus não se envergonhou ao se identificar como um encarcerado e a Carta aos Hebreus nos admoesta: “Recordai-vos dos encarcerados, como se fôsseis companheiros de cárcere deles.” (13,3).

Visitar os encarcerados é uma das obras de misericórdia, a que se espera que os cristãos façam, como ato de penitência e caridade. Porém, sabemos o quão difícil este ato pode ser para muitos que não podem, não conseguem e não aceitam visitar os encarcerados. A preocupação primeira com nossa segurança e com nosso patrimônio faz com que pouco ou nada nos preocupemos em oferecer quaisquer tipos de apoio aos detentos e suas famílias, tampouco busquemos humanizar as prisões.

Hoje, o Brasil detém a quarta maior população carcerária do mundo e o número de encarcerados continua crescendo exponencialmente, de modo que no ritmo atual, estima-se que daqui a 50 anos, teremos um em cada 10 brasileiros, preso, conforme dados do INFOPEN/DEPEN. Ou seja, cada vez mais o criminoso encarcerado aproxima-se de nós. As altas taxas de violência talvez sejam a condenação de uma sociedade na qual o perdão e a caridade não encontram lugar.

Penitenciária lembra penitência e é justo que assim seja: local de pena para expiação do erro. Porém, penitência e perdão caminham juntos, são duas faces de uma mesma moeda.

Visitar – e aqui, simbolicamente, tomamos esta ação para tantas outras possíveis “visitas” – os encarcerados e suas famílias é propiciar que o perdão nunca esteja ausente da pena. Visitar não suprime a culpa, nem a punição, nem tampouco ofende a vítima. Porém, visitar pode tocar o coração daquele que sofre a justa punição, tornando o cárcere menos desumano e, com a graça de nosso Deus misericordioso, tornando o cárcere lugar de mudança de coração.

Lembremo-nos, do mesmo modo que quando passamos em frente a uma Igreja, que ao passar em frente a uma prisão lá está presente Jesus, talvez em sua face mais miserável, mas Ele está presente naquele lugar.

RECONHEÇAMOS, NO ROSTO DA PESSOA ENCARCERADA, A FACE DE CRISTO!