Estudo dos Evangelhos › 10/08/2016

Evangelho de Lucas (10) – O Evangelho dos Ricos

Por padre José Luiz Gonzaga do Prado

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Janela

O Evangelho de Lucas fala em ricos bem mais do que os outros. Maria diz que Deus manda embora os ricos sem nada (1,53). João Batista, recomenda a partilha e diz aos publicanos e aos soldados que não se aproveitem da função para enriquecer (3,11-14). À bem-aventurança dos pobres, Jesus acrescenta o “ai” dos ricos (6,24 e ss.). Recusa-se a entrar em disputa por herança e fala de um rico que pensava ter tudo (12,13-21). Disse a quem o convidou, que, ao dar uma festa, não convidasse os ricos (14,12). No capítulo 16 conta a parábola do rico banqueteador e o pobre Lázaro. Um chefe – em Mateus seria um jovem – quer seguir Jesus, mas não é capaz, porque é muito rico (18,18-27). Zaqueu, o rico odiado na cidade, vê a salvação entrar na sua casa, devolve o que roubou e partilha o que lhe sobra (19,1-10).

As comunidades apostólicas

Pelas cartas de Paulo conhecemos as comunidades nas quais nasceu o Evangelho de Lucas. As da Macedônia, (Filipos, Tessalônica) eram extremamente pobres, mas generosas (2Cor 8,1-2). Em Corinto a maioria era pobre, sem nome e sem estudos (1Cor 1,26), mas havia uma minoria rica que brigava por dinheiro na justiça dos pagãos (1Cor 6,1-8) e criava problemas na celebração da Ceia do Senhor, humilhando os que nada possuíam e reproduzindo as desigualdades que a própria celebração condena (1Cor 11, 17-34). Havia, porém, uma ou outra boa pessoa como Erasto, que pode ter sido alta figura da administração pública de Corinto (Rm 16,23).

Essa realidade levou o evangelista a mostrar tanto a dificuldade que o rico tem para aceitar Jesus, quanto a possibilidade de um deles tornar-se discípulo.

As comunidades de hoje

O contraste riqueza e pobreza é hoje o que mais dá na vista e é o maior escândalo do mundo chamado cristão. No “maior país católico do mundo” maior é o abismo que separa o rico banqueteador do pobre Lázaro. Nem a mais intensa devoção a Maria deixa ver que, no cântico que o Evangelho coloca em seus lábios, ela fala de um Deus estranho ao pensamento único e dominante: um Deus anti-mercado, que sacia com fartura a fome do pobre e despede o rico de mãos vazias.

Mas o rico tem salvação. Basta que desfaça as injustiças cometidas e aprenda a partilhar como Zaqueu.