Estudo dos Evangelhos › 19/08/2016

Evangelho de Lucas (11) – O Evangelho das Mulheres

Por padre José Luiz Gonzaga do Prado

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Janela

O Evangelho de Lucas é aquele onde se vê com mais frequência a presença das mulheres. Isabel, não Zacarias, era filha de Aarão. Maria crê no mensageiro de Deus e se coloca a serviço. Ela, não o marido, vai dar nome ao menino. Vai à casa de Zacarias visitar Isabel e é por ela comemorada. A viúva de Naim só está em Lucas, como também a mulher sem nome, pecadora na cidade, que tem maior amor do que o senhor fariseu chamado Simão. Só em Lucas um grupo de mulheres segue Jesus. Marta e Maria, são modelos de diferentes acolhidas a Jesus. Uma mulher do povo bendiz a mãe de Jesus, a mulher encurvada é símbolo de um povo três vezes submisso, a viúva insistente é símbolo da oração constante. Lucas não esqueceu, como Mateus, a oferta da viúva pobre e só ele fala da lamentação das mulheres no caminho do Calvário e da descrença dos discípulos na palavra das mulheres.

As comunidades apostólicas

Na tradição judaica a mulher era inferior e submissa ao homem. No mundo gentio, de onde nos veio o Evangelho segundo Lucas a situação da mulher era melhor do que no mundo judeu. Havia, inclusive, um movimento de emancipação feminina que chegava a causar estranheza ao próprio apóstolo Paulo. Mas em Filipos ele se hospedou na casa de Lídia e aí tinha colaboradoras. Em Corinto, uma comunidade se reunia na casa de uma mulher chamada Cloé, outra comunidade, tinha uma ministra ou diácona chamada Febe. Além dessas, muitas outras são citadas, o mais das vezes antes dos maridos, no capítulo final da carta aos Romanos.

Por isso tudo, a valorização da mulher veio a fazer parte importante no Evangelho escrito nessas comunidades.

As comunidades hoje

A diferença de gênero (masculino ou feminino) ainda pesa em diversas circunstâncias na Igreja e no mundo de hoje. Há, entretanto, um esforço, até escrupuloso, para se superar isso. Onde, por exemplo, se dizia apenas “irmãos”, hoje se diz “irmãos e irmãs”. Na prática, porém, a mulher ainda tem motivos para se sentir discriminada.

Muitas reivindicam a ordenação sacerdotal. Antes disso, porém, é preciso que as mulheres possam influir nas decisões, que nunca devem ser solitárias, machistas e autocráticas, “aqui eu é que mando!”. Só a mulher, com sua sensibilidade e intuição, é capaz de mostrar o que o homem geralmente não vê. Só ela é capaz de impedir que muitos e muitos erros se cometam.