Estudo dos Evangelhos › 05/10/2016

Evangelho de Lucas (18) – O Bom Samaritano

por padre José Luiz Gonzaga do Prado

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Janela

A parábola só se encontra em Lucas e é resposta de Jesus à pergunta sobre quem é o próximo, o companheiro a quem se deve amar.  Um homem roubado, ferido de morte e caído à beira do caminho. Dois profissionais do culto divino, o sacerdote e o levita, que voltavam para casa, fingem não ver. O samaritano, ali considerado sem fé e inimigo, vê, deixa-se comover, apeia do animal, faz os primeiros curativos, coloca o homem na sua montaria e leva até uma pensão, onde passa a noite cuidando dele. Dá um dinheiro ao dono da pensão para que cuide do ferido, prometendo na volta pagar o que for gasto a mais. Jesus pergunta: “Quem foi companheiro do homem roubado e ferido?” E acrescenta: “Vá fazer o mesmo!”.

As comunidades apostólicas

As comunidades deste Evangelho nasceram da experiência de Paulo, fariseu que se converteu em apóstolo dos pecadores gentios. Ele conhecia todas as leis dos fariseus e era o mais observante. “O que para mim era lucro – disse ele – agora é prejuízo. Perdi tudo, mas considero tudo aquilo como lixo.”

Mas nessas comunidades alguns tinham vontade de valorizar as antigas normas e leis. Paulo, porém, tinha dito (Gl 5,14): “Toda a lei se resume neste único mandamento “Amarás o teu próximo como a ti mesmo!”.

O homem roubado e ferido de morte é a humanidade sofredora, à margem. O sacerdote e o levita, estão descendo, terminaram a sua função no Templo e voltam para casa, mesmo assim, estão mais preocupados com a impureza que poderiam contrair se tocassem num morto. O samaritano são os gentios “pecadores”, para eles Paulo disse não precisar insistir no mandamento do amor (1Ts 4,9).

As comunidades de hoje

Hoje não existe rezar para não ver os problemas. Ou existe? A multiplicação de leis e normas religiosas, a proliferação de ocasiões de pecado, favorece fortemente o fazer de conta que não se vêem os sofrimentos humanos. O sacerdote e o levita, profissionais do culto, preocupados com a impureza legal, representam muito bem isso.

É de se notar que o fato não aconteceu, foi inventado. Os personagens foram escolhidos por causa daquilo que representavam. Por que será que Jesus, inventando essa estória, para representar quem não olha para o sofrimento alheio, escolheu o sacerdote e o levita?