Estudo dos Evangelhos › 26/10/2016

Evangelho de Lucas (21) – Os dois filhos

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Janela

Criticam Jesus, que convive e até toma alimento com gente “pecadora”. Ele responde com a parábola dos dois filhos.

O mais moço pede a sua parte na herança e sai pelo mundo a gozar e gastar. O outro fica “servindo o pai”. O mais moço vai longe, até onde se criam porcos. Mas acaba disputando comida com eles (Jesus também comia com os “impuros”). Cai em si e resolve voltar e pedir ao pai um emprego. O pai, que o esperava, acolhe-o com festa, como filho. O mais velho não estava em casa, estava “servindo o pai”, e não quer entrar na festa “daquele sujo”.

As comunidades apostólicas

A parábola reflete bem uma das principais questões vividas nas comunidades deixadas por Paulo, a da observância ou não da Lei, especialmente nas suas inúmeras regras de pureza legal.

Naquelas comunidades Jesus está em companhia de pecadores, pois todos são gentios, pelos fariseus taxados de pecadores. Até come com eles. Em Antioquia Pedro fazia isso, participava da Ceia com cristãos não judeus. Mas quando chegam de Jerusalém emissários de Tiago, que proibia essa promiscuidade, afasta-se com receio, mas Paulo chama-lhe a atenção (Gl 2,11-14).

Na parábola, o irmão mais velho são aqueles que procuram “servir o pai” seguindo todos os ditames da Lei judaica e o irmão mais moço são os cristãos gentios, pecadores, acolhidos como verdadeiros filhos, apesar da má vontade de muitos cristãos judeus, os irmãos mais velhos.

As comunidades de hoje

Hoje a parábola ensina que a misericórdia deve derrotar o julgamento e a condenação. O Pai é capaz de acolher como filho aquele que “os puros observantes da Lei” condenam como pecadores. O Pai é capaz de acolher como filho aquele que os “já salvos” consideram condenados.

A falta de misericórdia é o grande mal, e é conseqüência daquilo que hoje governa o mundo. Banqueiro e especulador não têm coração, o lucro não dá o menor espaço para a misericórdia e a compaixão. Quanto mais o dinheiro domina, mais a misericórdia se afasta.

Há ainda a força do pensamento único, quem não concorda é sumariamente achincalhado. No ambiente religioso também, frequentemente quem quer parecer correto é apenas  intransigente, condena tudo o que não corresponde ao próprio pensamento. Mas o Pai ensina e exige misericórdia.