Estudo dos Evangelhos › 03/11/2016

Evangelho de Lucas (22) – Lázaro e o Rico

Por José Luiz Gonzaga do Prado, presbítero

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Janela

O Evangelho segundo Lucas, só ele, tem a parábola do pobre Lázaro e o rico banqueteador. A parábola está também na subida de Jesus (16,19-31).

O rico sem nome vestia-se elegantemente e dava banquetes todos os dias. O pobre, de nome Lázaro (significa Deus ajuda), cheio de feridas, ficava sentado no chão à porta do rico, esperando as migalhas que lhe caiam da mesa. Nada lhe davam, só os cachorros, solidários, vinham lamber-lhe as feridas.

Morrem. Lázaro é levado para o banquete da vida e o rico, para debaixo da terra. Ele pede ao Pai Abraão a ajuda de Lázaro. Abraão lembra o abismo que os separa. Ele pede que Lázaro possa aparecer aos seus parentes. A história termina com a resposta: “Já têm a Bíblia. Se não a seguem, nem que um morto ressuscite, irão mudar de vida”.

As comunidades apostólicas

O abismo entre pobres e ricos estava presente também nas comunidades que nos deram este Evangelho.

Em Corinto temos o caso da Ceia do Senhor (1Cor 11,17-34). A celebração da eucaristia acontecia na partilha de uma refeição comum. Os poucos ricos levavam muitas comidas e bebidas finas, mas comiam tudo antes de chegarem os pobres, a maioria da comunidade. Quando esses chegavam, os ricos já estavam empanturrados e embriagados, e os pobres com fome.

Paulo lembra o significado da eucaristia: Jesus dá seu corpo a partilhar. É um absurdo fazer o contrário. A eucaristia condena o abismo entre ricos e pobres. Quando na celebração da partilha reproduzem esse abismo, estão comendo a própria condenação.

A parábola do Evangelho faz eco a essa situação.

As comunidades de hoje

O Papa Paulo VI já trazia a parábola do pobre Lázaro e do rico banqueteador para a realidade do abismo entre nações pobres e ricas hoje. Chamava a atenção das ricas para que se preocupassem mais com as pobres. Mas a África continua esquecida, morrendo de fome e de Aids e outras epidemias.

Pense na facilidade com que se fala em milhões de reais quando se descobrem desvios do dinheiro público e compare com a situação de um morador de rua e meça a distância.

E a ostentação nas missas, batizados, casamentos, não quer exatamente destacar a diferença, a distancia, o abismo? Não será também celebrar a própria condenação?