Estudo dos Evangelhos › 10/11/2016

Evangelho de Lucas (23) – O fariseu e o publicano

Por padre José Luiz Gonzaga do Prado

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Janela

É bem conhecida e característica do Evangelho segundo Lucas a oração do fariseu e do publicano. O fariseu, homem piedoso e observante, reza de pé, cabeça erguida, agradecendo a Deus por ser justo, correto e praticante escrupuloso de tudo o que é Lei de Deus, diferente do publicano que lhe está atrás, pecador.

O publicano, vivia da cobrança terceirizada de impostos, necessitado, quase, de cobrar acima da tabela. Sabedor de que sua profissão o tornava sujo e odioso, mal entra no templo e, cabeça baixa, bate no peito, pedindo perdão por ser um pecador.

Este saiu em paz, o primeiro, do mesmo tamanho.

As comunidades apostólicas

As comunidades que nos deram este Evangelho, já sabemos, eram de gentios, considerados pecadores pelo que havia de mais preconceituoso no judaísmo. O fariseu representa exatamente a auto-suficiência e o preconceito de que eram vítimas os cristãos dessas comunidades.

Paulo já havia mostrado o contraste entre a observância da Lei e a vivência da Fé. A ideologia da Lei transformava tudo em listas de pecados a evitar e rituais, principalmente rituais, a cumprir. Era uma escravidão. A Fé é liberdade, é espírito, é compromisso radical com Jesus, que ajuda a descobrir os caminhos do amor e não escravidão que coloca em trilhos dos quais não se pode sair.

Essa liberdade deixa-os enlameados de pecado. Ninguém faz tudo o que deveria fazer. Paulo já falara disso no capítulo 7 da carta aos Romanos. O publicano é o cristão gentio, pecador declarado.

As comunidades de hoje

Para ir à busca de Deus é preciso estar com os pés bem apoiados na realidade do pecado em que vivemos. Não é sem sentido que, na mais antiga tradição da meditação cristã, a oração do fariseu: “Tem piedade de mim, pecador!” já era um estribilho, que os hindus chamam de mantra, para introduzir à oração integradora.

Oração espetáculo, oração de exibição, oração para tentar convencer a mim mesmo e, quem sabe, aos outros que sou justo e respeitável, ostentação religiosa, nada disso pacifica e põe em comunhão com Deus. Deixa do mesmo tamanho, senão pior.

Oração é reconhecer-se pecador e derramar sobre si o perfume de Deus para banhar-se dele, sorvê-lo e cheirá-lo, para, então, cheirar a Deus.