Estudo dos Evangelhos › 23/11/2016

Evangelho de Lucas (25) – A Paixão em Lucas

Por padre José Luiz Gonzaga do Prado

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Janela

A vitória do fracassado, o crucificado que está vivo, foi o tema central da primeira pregação do cristianismo. Nem por isso, a narrativa da paixão de Jesus deixa de encontrar diferenças nos Evangelhos.

Lucas é mais sóbrio, Jesus não é tão humilhado como em Marcos e Mateus. Na ceia Jesus diz: “Os reis da terra…, entre vós não há de ser assim”. No momento da prisão cura a orelha cortada do servo do sumo sacerdote. Só Lucas fala do olhar de Jesus para Pedro, que acabara de negá-lo pela terceira vez. Só neste Evangelho Jesus é levado a Herodes e faz com que ele e Pilatos façam as pazes. Um grupo de mulheres chora por Jesus e ele responde que devem chorar não por ele, mas por elas mesmas e seus filhos. Só em Lucas Jesus pede perdão para os seus algozes. Só em Lucas Jesus promete o paraíso a um dos criminosos crucificados com ele.

As comunidades apostólicas

A importância da ressurreição nas comunidades que nos deram este Evangelho (veja cap.15 de 1Cor) certamente fez o Senhor Jesus de Lucas menos humilhado na sua paixão.

Paulo, nos dois primeiros capítulos de 1Cor, mostra a coerência de sua pregação com o Salvador crucificado. Essa mesma coerência deve ensinar os ministros do evangelho a não imitarem os reis deste mundo.

Nas metrópoles do Império as autoridades civis têm grande importância. Jesus é motivo de reconciliação entre Herodes e Pilatos.

As mulheres tinham grande importância nessas comunidades, mas as de Jerusalém devem chorar não por Jesus, mas por si mesmas e por seus filhos, pois está chegando a destruição da cidade.

A misericórdia para com o pecador, característica das comunidades paulinas, aparece também na paixão de Lucas.

As comunidades de hoje

A resposta de Jesus às mulheres que choravam por ele pode resumir bem a principal mensagem para hoje da paixão segundo Lucas: “Não chorem por mim, chorem por vocês mesmas e por seus filhos”.

            A Semana Santa ganhou no Brasil a característica de compaixão pelos sofrimentos de Jesus. Mas Jesus não é uma vítima, um coitado. Ele está sereno, seguro, perdoa quem o crucifica e quem é crucificado com ele. O que merece nossas lágrimas é a situação em que vivemos e o mundo que estamos deixando para nossos sucessores.