Estudo dos Evangelhos › 27/07/2016

Evangelho de Lucas (8) – O Evangelho de Maria

Por padre José Luiz Gonzaga do Prado

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Janela

O Evangelho de Lucas é o que mais se refere a Maria, mãe de Jesus. O velho Zacarias, exercendo o sacerdócio no interior do Templo de Jerusalém, não acredita na palavra do anjo. Maria, mulher, jovem, pobre, na desprezada Nazaré, acredita. Não pensa nos seus problemas, vai imediatamente dar força a sua prima Isabel. É acolhida como a mais abençoada das mulheres. Em seu cântico, diz que Deus age assim mesmo, dá força aos fracos e despreza os poderosos. E afirma que todas as gerações haverão de bendizê-la. Ela guardava de cor todos os fatos do nascimento e da infância de Jesus. Não seria ela a mulher do povo que diz a Jesus: “Bem-aventurados o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram” (Lc 11,27)? Nos Atos dos Apóstolos, o outro livro de Lucas (At 1,14), ela está com os discípulos, que se preparam para a vinda do Espírito Santo e a missão no mundo.

As comunidades apostólicas

Quando Lucas coloca nos lábios de Maria um cântico (o Magnificat) semelhante ao de Ana, mãe de Samuel (1Sm 2,1-10) acrescenta “todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48). É sinal de que nas comunidades de Lucas a devoção a Maria estava presente. Essa geração de cristãos já a chamava de mulher feliz, bem-aventurada, abençoada por Deus. Paulo, o iniciador dessas comunidades, já havia lembrado (Gl 4,4) que Jesus nasceu de uma mulher e debaixo da lei que fazia escravos, para nos tornar filhos e livres. Desde o início Maria estava presente na espiritualidade das comunidades paulinas, donde nos veio este Evangelho.

As comunidades de hoje

A devoção a Maria, mãe de Jesus cresceu muito no decorrer dos séculos. Maria recebe por toda a parte, em todo o mundo, os mais variados títulos ou nomes. É como uma pessoa querida e popular, que recebe muitos apelidos.

No Brasil ela é Nossa Senhora Aparecida. Não apareceu para repetir mensagens tradicionais. Sua mensagem é ela mesma, uma santinha negra, encontrada por pobres pescadores, quando a escravidão aqui era a mais terrível e degradante. Seu recado é este, “sou companheira dos últimos da sociedade brasileira, sou uma escrava, não uma rainha ou primeira dama”. Só isso já dá razão ao carinho que ela recebe de todos nós.