Estudo dos Evangelhos › 03/08/2016

Evangelho de Lucas (9) – O Evangelho dos Pobres

Por padre José Luiz Gonzaga do Prado

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Janela

A preocupação com os pobres percorre todo o Evangelho de Lucas. Jesus não nasce num berço de ouro, seu berço é o cocho de um estábulo. Seu nascimento é anunciado aos pastores, gente pobre e temida, como os ciganos e sem-terras de hoje. “Hoje nasceu para vós um salvador”. Salvador dos pobres, ele será reconhecido na pobreza do berço. Seu programa é a Boa Notícia para os pobres. As viúvas pobres estão presentes neste Evangelho bem mais do que nos outros. As parábolas próprias de Lucas falam do homem sem nome, roubado e caído à beira do caminho, falam dos pobres forçados a entrar para a festa do rei, falam do pobre Lázaro caído à porta do banquete diário do rico e do abismo que os separa aqui e na eternidade.

As comunidades apostólicas

As comunidades que nos deram este Evangelho, em sua maioria eram pobres, mas preocupadas com outras mais pobres. Quando se resolveu o problema com as comunidades da Judéia, foi combinado que as comunidades dos gentios não se esqueceriam dos judeus pobres (Gl 2,10). As comunidades da Macedônia (Filipos, Tessalônica), apesar de sua profunda pobreza participaram de uma campanha em favor deles (2Cor 8,1-2). Em Corinto a grande maioria era de pobres, sem nome e sem estudo (1Cor 1,26), mas a minoria rica os humilhava até na celebração da Ceia do Senhor (1Cor 11,17-34).

As comunidades de hoje

Quando as autoridades da Igreja pareciam ter esquecido dos pobres e da pobreza, permitindo que o poder e a riqueza as governasse, São Francisco inventou o presépio, para lembrar o nascimento de Jesus segundo Lucas. Ainda há lugar para o presépio?

Há ainda um ser humano roubado e caído à beira da morte e do caminho. Como na parábola, pode acontecer que aqueles que estão mais ligados à religião e ao culto, o sacerdote e o levita, se esforcem por não vê-lo, enquanto o “inimigo”, o sem religião, o samaritano, se debruce sobre ele.

Ainda há ricos que todos os dias dão esplêndidos banquetes, para os quais convidam os líderes da Igreja. Os pobres Lázaros continuam esperando migalhas e só encontram solidariedade nos cães que se alimentam de seu sangue e com a saliva lhes aliviam a dor das feridas.