Estudo dos Evangelhos › 16/11/2016

Evangelho de Lucas (24) – O administrador esperto

Por padre José Luiz Gonzaga do Prado

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Janela

O Evangelho de Lucas traz, só ele, uma parábola difícil de entender. É a do administrador esperto, mas desonesto, como está em algumas Bíblias.

Um administrador foi denunciado ao seu rico patrão de estar dilapidando suas propriedades. Certo de que seria despedido, passou a agradar os devedores do patrão, alterando as notas e diminuindo suas dívidas. Pensava: quando eu for despedido do emprego terei pessoas que me acolham. E o senhor (Jesus ou o patrão?) elogiou a esperteza do administrador desonesto. E Jesus continua: Vocês também façam amigos com o dinheiro injusto para que, quando ele acabar, eles os recebam na moradia eterna.

As comunidades primitivas

As pessoas das comunidades de Lucas eram pobres, mas talvez não tão pobres como as das comunidades da Judéia. Paulo promoveu entre elas uma campanha em favor das comunidades de Jerusalém e arredores (a Judéia). As mais pobres contribuíram com mais generosidade (2Cor 8,1-2).

Mas havia ricos e pessoas importantes dentro das comunidades. Algumas vezes chegavam a desprezar e humilhar os mais pobres. É o que acontecia em Corinto dentro da própria celebração da Ceia do Senhor.

Os ricos deviam ser alertados e os mais pobres elogiados pelo uso que faziam dos bens que Deus, o verdadeiro patrão, punha em suas mãos. Repartir com os mais pobres a riqueza de que eram administradores temporários era santa esperteza, pois assim garantiriam a própria salvação.

As comunidades de hoje

A dificuldade em entender a parábola de Jesus é causada pelo valor que se dá hoje ao dinheiro, à propriedade. A propriedade é intocável, o dinheiro se conta aos centavos, isso é considerado valor. O nome, a honra, o equilíbrio emocional, a harmonia, a felicidade, isso nem é considerado valor. Isso não se conta nem se registra em cartório.

Impressiona o elogio daquele empregado que lesou o patrão. Onde já se viu o empregado lesar o patrão?! Isso repugna à nossa arraigada formação mercantilista e escravagista!

Deus é um patrão diferente. Ele quer que os bens que nos confiou para administrar sejam repartidos, sejam dilapidados. A ele o que interessa é o social, não o econômico, é o partilhar, não o acumular.