Estudo dos Evangelhos › 25/04/2018

Evangelho de Marcos (11) – A mensagem é metanóia

Janela

No Evangelho segundo Marcos a mensagem de João Batista, de Jesus e dos Apóstolos (6,12) se resume em uma palavra: metanoia. Que palavra é essa? Que significa isso? A palavra é grega, mas o leitor sabe o que ela significa. Você não sabe que metamorfose é mudança de forma, é a lagarta tornar-se borboleta? E paranóia? Não é problema de cabeça? Então metanoia é mudança de cabeça, de mentalidade, de modo de pensar. João anunciava um “batismo de metanoia”, geralmente traduzida por ‘de conversão’ ou ‘de penitência’ (1,4). Jesus prega na Galiléia a boa notícia (evangelho) do reinado de Deus e convoca para a metanoia com a fé ou compromisso com a Boa Nova do Reino (1,14-15).

A Comunidade Apostólica

Quando o Evangelho foi escrito, o Império fazia a cabeça do povo. A mentalidade era de patrono-cliente, uns poucos, os poderosos, são os bons os que protegem os mais fracos, são os patronos. A maioria é fraca, dependente, precisa dos mais fortes, é cliente deles. O patrono dá alguma força para o cliente e o cliente dá toda a força para o patrono. O Imperador é o patrono universal, um verdadeiro deus.

Na Galiléia aqueles que tinham perdido tudo por causa da exploração do sistema do Império, queriam lutar com as mesmas armas, queriam fazer uma revolução contra Roma. E achavam que o reinado de Deus era só para eles, judeus, eles seriam um povo abençoado e feliz. Pensavam numa solução violenta e nacionalista.

No reinado de Deus é diferente, aí todos são iguais, “irmãos”. Isso não se impõe pela força nem se limita a uma nação. Chegou o reinado de Deus, é preciso mudar as cabeças, é preciso de metanoia.

As comunidades de hoje

O Império continua fazendo a cabeça das pessoas. Os dirigentes dos Estados Unidos acham que eles são a Roma de hoje, que lá é o centro do Império global. Mas o Império hoje é do dinheiro e do mercado. E a lei do mercado é a lei do mais forte. É a competição, é a lei do “vamos ver quem pode mais!”. E “Ai dos vencidos!”, o destino dos incompetentes é desaparecer, é a morte.

Será que o sistema Patrono-cliente já acabou mesmo? A gente acredita mesmo no Evangelho como boa notícia da chegada do reinado de Deus, onde todos são iguais, “irmãos”? Não precisamos mais de mudança de mentalidade, de metanoia?