Estudo dos Evangelhos › 02/05/2018

Evangelho de Marcos (12) – Na sinagoga

Janela

Logo após reunir os primeiros discípulos, os quatro irmãos (Mc 1,16-20), Jesus (1,21-28) vai com eles à reunião da comunidade religiosa dos judeus, a Sinagoga, para anunciar a sua mensagem. Ele é totalmente diferente dos mestres que eles tinham. Mas aquela instituição religiosa não o aceita, ali está o homem com mau espírito. Reconhece que a mensagem de Jesus significa o fim para os mestres da instituição que ele representa. Mas Jesus o vence e provoca a admiração, senão a simpatia, dos que estavam lá dentro. E a fama de Jesus começa a correr por toda a Galiléia.

A comunidade Apostólica

A comunidade deste Evangelho formou-se e firmou-se na Galiléia. E viveu um conflito com a antiga religião. Seus mestres já não tinham o que dizer e viviam a repetir as velhas lições, que nada diziam para a realidade atual. Aquele grupo de “irmãos”, André e Simão, Tiago e João, Jesus vivo no meio deles, tinha o que dizer e falava com a autoridade de quem primeiro faz, para depois falar. Eram ameaça para a Sinagoga, a velha instituição religiosa, já sem vida, onde estava também (3,1) o homem da mão seca, quer dizer, sem ação, sem iniciativa, sem coragem de agir.

A comunidade de irmãos, Jesus vivo no meio deles, quer que as pessoas tenham iniciativa, não fiquem paralisadas por medo do pecado, prefiram promover a vida em vez de se preocupar em guardar o sábado (3,4).

As comunidades hoje

Não vivemos hoje em conflito com a Sinagoga, a comunidade religiosa dos judeus. É dentro da nossa Igreja que podemos encontrar modos de pensar e ensinar semelhantes ao dos antigos mestres fariseus. Dentro da nossa Igreja podemos ver o que leva à neurose de evitar pecado e paralisa as pessoas. Jesus quer gente livre, lutando por um ideal, um sonho. Não quer indivíduos doentios que veem pecado por toda a parte e são incapazes de agir, de fazer alguma coisa, de desrespeitar os sábados, se preciso for, para dar mais vida ao ser humano.

Isso é uma ameaça para quem tem medo de sair do lugar, de abrir as janelas a fim de que o vento do Espírito entre e renove a face das comunidades, da Igreja toda e de toda a terra. É uma ameaça para quem prefere fechar as janelas por medo do vento que vem de Deus. É uma ameaça para quem prefere se fechar para a realidade e para o Espírito.