Estudo dos Evangelhos › 16/05/2018

Evangelho de Marcos (14) – Demônios e espíritos impuros

Janela

            O Evangelho segundo Marcos fala com frequência em endemoniados, demônios e também em espíritos impuros. Há ainda o episódio do espírito mudo ou surdo-mudo (9,14-29). A narrativa deixa claro de que se trata de um caso de epilepsia, certamente conjugado com surdez e consequente mudez. Algumas vezes os espíritos impuros (1,34 e 3,11-12) ou os demônios (1,34) sabiam quem era Jesus, mas ele proibia que o dissessem. Jesus tem autoridade sobre eles e dá essa autoridade aos Apóstolos quando os envia a pregar (6,7).

A Comunidade Apostólica

Os escritos dos rabinos antigos falam em demônios muito mais do que os Evangelhos. Fazia parte da tradição judaica. Diziam que Deus criou os demônios na tarde do sexto dia, mas não teve tempo de dar-lhes um corpo, pois com o pôr do sol começava o sábado. Por isso eles ficam vagando. Esfregam-se nas pessoas para gastar-lhes as roupas e provocar doenças. Estão em toda a parte.

Na época o atraso era grande e o povo muito explorado, isso aumentava as doenças e levava alguns à loucura e outros à revolta fanática e irracional da rebelião violenta contra Roma. Esses estavam à procura do Messias, o salvador da pátria deles, papel que Jesus não queria fazer. A religião judaica estava decadente e seus mestres desacreditados. E a aceitação de Jesus era grande. O Evangelho usa as imagens de demônios e maus espíritos para falar dessa realidade e do que Jesus faz como início do reinado de Deus.

As comunidades hoje

Hoje a medicina, a psicologia, a parapsicologia têm conhecimentos e recursos para analisar, interpretar e buscar solução para a maioria os problemas de saúde física e mental. O mal hoje é atribuir a seres sobre-humanos a causa dos problemas. Colocá-las fora do nosso alcance torna mais difícil, senão impossível, buscar uma solução.

É verdade que exorcismo é mais barato do que tratamento psiquiátrico, mas culpar o demônio por tudo o que acontece só leva ao desespero e à neurose.

Ajuda mútua, carinho e atenção uns com os outros – na raiz de muitos problemas está a simples carência afetiva – são meios ao nosso alcance para fazer o que Jesus fez, libertar as pessoas dos seus demônios interiores.