Estudo dos Evangelhos › 23/05/2018

Evangelho de Marcos (15) – Os quatro da maca

Janela

Jesus, em Casa, começa a formar seus discípulos (Mc 2,1-12). Ajunta tanta gente que não há mais lugar nem à porta. Os mestres judeus ainda estão ali sentados, ensinando. Aparecem quatro carregando um paralítico numa padiola. Como a passagem pela porta está impedida, sobem ao terraço, abrem um buraco e por ele descem o paralítico até onde Jesus está. Jesus, contra o parecer dos mestres, livra o homem do pecado e da paralisia.

Se não é de todo impossível, o fato é pelo menos muito estranho. Só pode ser bem entendido pelo simbolismo de cada detalhe.

A Comunidade Apostólica

A comunidade cristã que nos deu este Evangelho começou dentro da religião judaica. Os Escribas ou Mestres da Lei de Deus é que tinham a palavra. Todos queriam tornar-se discípulos de Jesus e não permitiam que os de fora, os dos quatro cantos do mundo chegassem. Esses eram considerados pecadores e paralíticos, incapazes de colaborar para o reinado de Deus. Mas eles insistem e chegam até onde está Jesus. É o que significa o paralítico-pecador chegar a Jesus pelo teto. Ele simboliza os que chegam dos quatro cantos do mundo.

Jesus, primeiro, os tira da condição de pecadores, mesmo contrariando os mestres do judaísmo. Depois os livra da paralisia e, então, eles passam a carregar a maca onde eram carregados, passam a ser senhores da própria vida, capazes de se movimentarem por si mesmos. A comunidade, mesmo contrariando os mestres, acolhe os não judeus, não os tem mais como pecadores nem como incapazes.

As comunidades de hoje

Sabemos acolher bem e dar responsabilidades aos que estão chegando, aos que “caem de paraquedas”? A tentação, às vezes, é achar que quem não sabe tudo não sabe nada, que quem não pensa exatamente como a gente está por fora ou é um alienado ou imaturo. Não é mais fácil excluir como perigoso ou incapaz do que ajudar a crescer, a superar os próprios limites e dar a colaboração de que cada um é capaz? Quem não é capaz de nada? Como será capaz se não começar?

Não dar qualquer responsabilidade ou exigir o que evidentemente está acima das próprias forças é o mesmo que chamar de incapaz e paralítico. Só os que se consideram os mestres acham que os outros são pecadores e paralíticos.