Estudo dos Evangelhos › 13/06/2018

Evangelho de Marcos (18) – A casa e a praia

Janela

Muitas vezes, especialmente nas duas primeiras partes, ou seja, na Galiléia e no caminho para Jerusalém, o Evangelho segundo Marcos faz questão de dizer que Jesus estava em casa ou na beira do mar. À beira do mar (1,16; 2,13; 3,7; 4,1) Jesus fala às multidões, cura doentes e sofredores e chama discípulos, não só os que eram pescadores, mas também Levi, que era fiscal de taxas públicas ou publicano. Em Casa, mesmo a caminho de Jerusalém (9,28), Jesus explica, orienta e forma seus discípulos.

A comunidade Apostólica

A Casa é a comunidade dos discípulos. Na primeira referência (1,29) é a casa de Simão e André, onde Jesus, tendo saído da Sinagoga, entra com os outros dois irmãos. No princípio (2,1 e ss.) ela está cheia de judeus que impedem os gentios de chegar, mas eles entram nem que seja pelo teto. É a comunidade onde os discípulos crescem na intimidade com Jesus.

O mar é símbolo da morte. Imaginavam o lugar dos mortos nas águas subterrâneas com as quais se comunicavam as águas do mar. A multidão sofredora e necessitada de uma instrução de Jesus está à beira do mar, à beira da morte. Dali ele chama os discípulos que, no mesmo barco com ele, se tornam vencedores da morte e podem instruir a multidão à beira do mar.

As comunidades de hoje

Falta-nos hoje a distinção entre a casa e a praia, a distinção entre Igreja e mundo. Somos herdeiros da cristandade, quando o mundo se identificava, pelo menos formalmente, com a Igreja. Então, tudo e todos eram católicos, o mundo já não precisava ser salvo, não estava à beira da morte. Símbolo do domínio português que fincava o pé nas terras de Santa Cruz foi exatamente uma cruz. Em Ribeirão Preto, à Rua São Sebastião ficava o cine São Paulo (tudo católico) que só passava filmes pornográficos. Cristandade é uma herança que muitos querem recuperar.

A Casa, a comunidade cristã, é onde os discípulos de Jesus hoje se formam, crescem no compromisso com ele. As celebrações, as reuniões, os grupos de reflexão, os momentos de oração pessoal e coletiva, tudo deve contribuir para isso, só para isso, só para fazer crescer no compromisso com Jesus. Depois é preciso ir para a praia, para a beira do mar, acudir com a ação e com a palavra a humanidade à beira da morte.