Estudo dos Evangelhos › 20/06/2018

Evangelho de Marcos (19) – As três partes do Evangelho

Janela

Já familiarizados com o Evangelho de Marcos, vamos entender como ele está organizado em etapas. A primeira é a da Galiléia, do início até 8,26, a segunda é a do caminho, de 8,27 até 10,52 e a terceira é a de Jerusalém do capítulo 11 até o final. Na Galiléia ele proíbe que digam que ele é o Messias, no caminho explica que tipo de Messias é ele, em Jerusalém realiza sua missão de servo sofredor. Na Galiléia forma sua comunidade a partir da Sinagoga, no caminho prepara os discípulos para o fracasso da cruz, em Jerusalém enfrenta os inimigos, é crucificado e sai vitorioso.

A Comunidade Apostólica

A comunidade que nos deu este Evangelho formou-se e crescia na Galiléia, mas enfrentou dificuldades. Os zelotes, que pensavam vencer o Império Romano pelas armas, queriam um Messias político nacionalista. Queriam os cristãos na revolução com eles. Os endiabrados chamam Jesus de Messias. Precisa mudar o pensamento (metanoia).

O caminho para Jerusalém explica que o caminho e o objetivo são outros. O caminho é a cruz e o objetivo é tirar pela raiz o mal da humanidade toda.

O confronto com os inimigos em Jerusalém revela que a velha instituição religiosa está falida, secou como a figueira. Quando Jesus morre, é um não judeu que o reconhece como Messias. Não judeus tornam-se cristãos.

As comunidades de hoje

Formar-se e crescer, entender como é que Jesus salva e pôr mãos à obra é um bom programa para as comunidades cristãs de hoje.

Primeiro precisamos entender o que significa a Boa Notícia (Evangelho) do reinado ou Império de Deus e porque ele exige uma mudança de cabeça (metanoia). Isso se aprende na Galiléia, na comunidade, no pequeno grupo de reflexão, na Casa, onde Jesus explica tudo aos discípulos. Isso se põe em prática à beira mar, onde a humanidade, à beira da morte, espera a palavra e a ação de Jesus.

O passo seguinte é caminhar para a morte em Jerusalém. Na caminhada, uns aplaudem, uns seguem com medo, enquanto os dirigentes disputam poder. Ainda é difícil entender que o caminho é a cruz, o fracasso, a humilhação.

Difícil é entender também a necessidade do confronto. Quem não desmascara, se mascara. O fracasso não é definitivo e leva de volta à Galiléia, ao começo.