Estudo dos Evangelhos › 04/07/2018

Evangelho de Marcos (21) – No caminho: os doze querem o poder

Janela

No caminho para Jerusalém, Jesus explica que tipo de Messias ou Cristo é ele, fala de sua exclusão pelas autoridades políticas e religiosas, da condenação, da humilhação da cruz e da vitória final da ressurreição. Mas os Doze que ele escolheu não aceitam a ideia, o pensamento deles é outro. Da primeira vez, Pedro corrige Jesus, não quer que ele fale nisso (8,31-33). Da segunda (9,30-32), ele está a sós com os discípulos, eles não entendem, mas ficam com medo de perguntar. Da terceira vez (10, 32-45) Tiago e João interrompem a fala de Jesus para pedir os primeiros lugares no poder. Era isso o que os Doze queriam.

As Comunidades Apostólicas

Os Doze Apóstolos tinham tanta dificuldade em entender Jesus? Seu pensamento estava tão longe assim? O Evangelista, como diz o povo, “está batendo na cangalha para o burro entender”. Quando o Evangelho é escrito, os Doze já se foram. Os que ficaram no lugar deles, os dirigentes atuais das comunidades é que estão sendo tentados pelo poder, estão sendo tentados a esquecer que o caminho de Jesus é o da cruz, da pobreza, do fracasso, da humilhação. Não fazia 40 anos que Jesus tinha sido crucificado e já brigavam pelo poder! Mas por aí, o mundo não é salvo, a humanidade continua no caminho da morte, a ressurreição não vem. O caminho é a cruz.

As comunidades de hoje

Hoje isso não acontece. Ou acontece? Do Papa, passando pelos bispos e pelos padres, até o mais humilde dirigente de culto ou celebração, catequista ou animador de grupo de reflexão, todos somos tentados pelo poder, todos queremos mandar e ser obedecidos sem restrição ou questionamento. Todos somos tentados a nos servir dos outros, em vez de servi-lhes.

O caminho alerta para não nos deixarmos levar pela tentação de ser servidos em vez de servir (10,41-45). O caminho nos ensina que seguir Jesus é abraçar a cruz e colocar nos ombros a sua vergonha, deixando de lado o próprio bem estar, além da vaidade, do orgulho, da arrogância (8, 34-38). O caminho nos ensina a buscar o último lugar na singeleza de uma criança (9,33-37 e 10, 13-16). O caminho nos ensina a abandonar a riqueza, mesmo que seja tão difícil como um camelo passar pelo fundo da agulha (10,17-31).