Estudo dos Evangelhos › 11/07/2018

Evangelho de Marcos (22) – No caminho: o cego segue

Janela

Na última etapa do caminho, à saída de Jericó para Jerusalém, o Evangelho traz o episódio do cego Bartimeu. O seu nome significa filho da honra, da glória, do prestígio, alguém que só pensa nisso. Quem só pensa na própria gloria é mendigo de aplausos, sentado, sem andar, e à beira do caminho. Sabendo que era Jesus que passava, começou a clamar: “Filho de Davi, tenha pena de mim!” Pensa em Jesus como Messias glorioso, é cego! Mas pede que Jesus tenha pena dele, quer deixar a cegueira. Jesus o chama. Ele joga o manto para trás, pula de pé e vai até Jesus. Queria enxergar. Jesus lhe diz: “Tua fé te salvou”. E ele foi seguindo Jesus no caminho.

A Comunidade Apostólica

O Batismo nas comunidades primitivas era chamado de “Iluminação”, era o abrir os olhos, passar a enxergar. Este cego que dá um pulo e sozinho vai até Jesus e, porque tem fé, começa a enxergar, é símbolo daquele que foi batizado, do novo discípulo. Mc 10,32-45 dá uma ideia do que se via na comunidade: Alguns admiravam a valentia de Jesus, eram apenas fãs. Os que o seguiam de verdade iam com medo e os dirigentes estavam mais preocupados com a glória do poder.

Agora, Bartimeu, o mendigo cego que estava sentado à beira do caminho, e que chama Jesus de Filho de Davi, o Messias glorioso, e representa os Doze, brigando ainda pela glória do poder, pede que Jesus tenha pena de sua cegueira. O pedido, apesar de todos os mal entendidos, significa sua fé, o reconhecimento de sua cegueira, é um cego que quer enxergar. A fé o faz enxergar e, então, ele vai seguindo Jesus pelo caminho que leva à morte de cruz.

As comunidades de hoje

Existem, sem dúvidas, várias atitudes diante de Jesus. Há os meros admiradores, são a torcida, não entram no jogo. Há a multidão que só quer curas, milagres e solução dos problemas pessoais e há os que lutam para transformar o mundo, iluminados pela fé em Jesus. Enfrentam sérios problemas e dificuldades, vão com medo, mas procuram segui-lo.

Há também muitos cegos sentados à beira do caminho. Não enxergam, não caminham, ficam à margem, a história passa e eles nada fazem. O cego resume tudo o que vinha acontecendo por todo o trajeto da subida: Jesus fala na humilhação de ser condenado pelas autoridades e de ser morto como um maldito de Deus e, enquanto isso, os Doze, os chefes, estão brigando pela glória do poder.

Mas com a fé em Jesus, reconhecendo a própria cegueira, podem abrir os olhos. Serão capazes de jogar para trás o manto que os cobria, a sua segurança, a própria vida, e, pulando de pé, podem começar a seguir o caminho que passa pelo fracasso da cruz.