Estudo dos Evangelhos › 18/07/2018

Evangelho de Marcos (23) – O confronto: a figueira seca

Janela

Depois da entrada triunfal em Jerusalém, Jesus vai ao templo e observa. À tarde sai da cidade, de manhã volta. Vê uma figueira frondosa, mas sem fruto e diz: “Ninguém mais coma fruto teu!”. Expulsa os negociantes do templo e fala ao povo embevecido, enquanto os mestres pensam matá-lo. Sai da cidade. Quando volta na manhã seguinte, a figueira está seca. As autoridades questionam suas atitudes, mas ele as deixa sem resposta (11,1-33).

A comparação da vinha ou lavoura fala dos chefes, que o entendem (12,1-12). Seguem-se discussões com dirigentes e o capítulo 12 termina com a oferta da viúva. Depois vem a fala sobre guerra judaica e a destruição de Jerusalém.

A Comunidade Apostólica

Que significado teria para a comunidade do Evangelho a figueira seca? A figueira bonita, mas sem frutos, lembrava as belas cerimônias do templo, que não resultavam em nada, a não ser em riqueza para os Sumos Sacerdotes. A religião judaica, centralizada no templo, estava acabada. Nem era mais tempo de ela dar frutos. O tempo é agora, o fruto que Deus espera vem agora. A comunidade Cristã são os outros lavradores a quem Deus confia sua vinha (12,9). Aquela instituição tão bem organizada não encontra resposta para Jesus (11,33; 12,12; 12,17; 12,27; 12,34). Os escribas só querem aparecer (12,38-40), enquanto a pobre viúva é símbolo da comunidade. Na sua pobreza, dá o que tem. A guerra judaica, em andamento, com a consequente destruição de Jerusalém (cap. 13) será a morte da figueira frondosa.

As comunidades de hoje

A figueira seca podemos ser também nós hoje, árvore frondosa e bonita que nada produz. Que frutos temos produzido? Quais os resultados práticos de nossa fala de Deus, celebrações caprichadas, demoradas orações e busca de emoções religiosas? Muito proveito para nós mesmos? Ou nossa prática de vida contrasta tanto com este mundo, que nos vemos perseguidos e precisando nos esconder, distantes dos palcos do mundo, vivendo na clandestinidade como Jesus em Jerusalém?

Os frutos que Deus espera são consequências da obediência ao único mandamento, apoiar-se em Deus e amar o próximo (12,28-34). É preciso dar tudo de si como a pobre viúva. Não é a aparência que conta, mas o resultado. Aprender a lição da figueira!