Estudo dos Evangelhos › 07/03/2018

Evangelho de Marcos (4) – Quem é Jesus?

Janela

O Evangelho de Marcos se resume nessa pergunta. Começa dizendo que é início da Boa Notícia de Jesus, o Messias, o Filho de Deus. Na Galiléia Jesus sempre proíbe que digam quem ele é. No centro do Evangelho, pergunta aos discípulos e Pedro responde que ele é o Messias. Sobe para Jerusalém explicando que é o Messias sofredor, mas os discípulos não entendem e não aceitam a ideia. Logo após sua morte de cruz, um gentio, um não judeu, o sargento romano, reconhece que ele era mesmo o Filho ou Servo de Deus.

A comunidade apostólica

A comunidade que nos deu este Evangelho viveu num tempo próximo de Jesus. É verdade que já começava a se organizar e tinha novos dirigentes no lugar dos Apóstolos. Mas não podia esquecer o que lhe era essencial, era uma comunidade de seguidores de Jesus, o pregador popular que foi crucificado em Jerusalém. Todos o chamavam de Cristo, que quer dizer ungido, em hebraico, messias. Precisa lembrar o que isso significa, pois os chefes da revolução que tomou o poder em Jerusalém também se chamavam de cristo ou messias. Que cristo ou messias é Jesus?

As comunidades de hoje

Para nós, hoje, parece que Cristo é o sobrenome de Jesus. Já não sabemos, nem na teoria, muito menos na prática, o que isso significa. Se, quando o Evangelho foi escrito a comunidade cristã já tinha uma organização, imagine hoje…

É necessário haver organização, se as tarefas e encargos não são distribuídos, nada acontece, ninguém faz nada, não se sabe a quem recorrer. A tendência da organização, porém, é substituir o espírito. Ficamos como o ferroviário cuja função era dar pancadas nas rodas do trem logo que ele parava na estação. Ao aposentar-se e passar o encargo a outro, este perguntou por que devia dar aquelas pancadas e ele respondeu “Eu fiz isso durante trinta e cinco anos e nunca perguntei por que, você já no primeiro dia quer saber!”.

É preciso perguntar, sim, porque dizemos Jesus Cristo. É preciso, sim, ler e reler o Evangelho para ver se não cometemos os mesmos enganos que cometeram os Apóstolos. Precisamos tentar entender o que o pagão nos ensina quando reconhece Jesus como Filho de Deus exatamente quando ele acaba de morrer. Uma vida longa é curta para se buscar entender porque, para salvar a humanidade, é preciso morrer de forma tão humilhante.