Estudo dos Evangelhos › 21/03/2018

Evangelho de Marcos (6) – Filho de Davi ou Filho de Deus?

Janela

Já vimos como neste Evangelho Jesus parece não gostar de ser chamado de Filho de Davi. Marcos prefere dar a Jesus o título de Filho de Deus. Ele começa dizendo que seu Evangelho é início da Boa Notícia de Jesus, o Cristo, o Filho de Deus. E, quase no final (15,19), quando Jesus acaba de morrer, o centurião ou sargento dos soldados romanos, diz “De verdade esse homem era o Filho de Deus!”. No meio do Evangelho, Espíritos Impuros (3,11) e um possesso (5,7) dizem que Jesus é o Filho de Deus, mas ele proíbe que o digam. Duas vezes, no Batismo (1,11) e na transfiguração (9,7), Deus é quem diz que Jesus é seu filho.

A Comunidade Apostólica

A comunidade que nos deu este Evangelho estava muito próxima da revolução dos zelotes contra o poder romano na Palestina. O Evangelho foi escrito entre a tomada do poder em Jerusalém, que aconteceu no ano 66, e a destruição da cidade e do templo, no ano 70.

Nesses anos em que comandaram a cidade de Jerusalém, os chefes revoltosos, mesmo brigando entre si, davam-se os títulos do Salvador anunciado e esperado. Um desses era Messias, palavra hebraica, ou Cristo, palavra grega, ambas significando Ungido, um rei ungido! Outros títulos eram Filho de Davi e Filho de Deus, pois os reis eram chamados também de Filhos de Deus.

O que dava mais certo para Jesus era o de Filho de Deus, porque Isaías chamava de servo, na tradução grega de ‘garoto’ ou ‘guri’, querido de Deus, um personagem que haveria de salvar o povo através do sofrimento. Por isso é que no Batismo e na transfiguração Deus chama Jesus de seu filho querido.

As comunidades de hoje

Hoje a gente fala de Jesus como Filho de Deus para identificá-lo com o Pai, correndo o risco até de esquecer que ele era ser humano. A gente pensa muito em termos de essência, do que é, e não do que faz e de como age. A gente põe Jesus igual a Deus, não será que é para ficar dispensado de seguir seu caminho, seu exemplo?

O garoto ou guri querido de Deus que recebe o seu Espírito em Isaías 42,1-7 “leva o direito às nações, não grita nem levanta a sua voz, lá fora ninguém escuta o que ele fala, não quebra o ramo já machucado, nem apaga o pavio já fraco de chama, fielmente promoverá o que é de direito, sem amolecer e sem oprimir, até implantar o direito no país e as ilhas distantes aguardarem a sua lei”.