Estudo dos Evangelhos › 04/04/2018

Evangelho de Marcos (8) – O Servo Sofredor

Janela

Já vimos que o Evangelho de Marcos parte da pergunta “Quem é Jesus?”. É o Messias. Que Messias? Não é o ungido rei dos judeus, o filho de Davi. Que modelo de Salvador é, então, Jesus? A mensagem de Marcos é clara: É o Servo do Senhor de que falam quatro poemas ou “cânticos” do livro de Isaías. Ele salva através da firmeza, da coerente resistência ao sofrimento. “Como cordeiro levado ao matadouro, ele ficou calado” (Is 53,7). “Leva o direito às nações, não grita nem levanta a voz… sem amolecer e sem oprimir, até implantar o direito no país e as ilhas distantes aguardarem a sua lei” (Is 42,2-4). Especialmente na narrativa da paixão, Marcos mostra como Jesus realiza esses poemas do livro de Isaías.

A Comunidade Apostólica

A comunidade que nos deu este Evangelho viveu no lugar de onde saíram os revoltosos que foram tomar o poder em Jerusalém. Eram todos fracos e pobres, mas queriam o poder a qualquer a custo, não viam outra solução. O caminho de Jesus não é esse. Para ser “união do povo” e “luz das nações”, “ele não quebra o ramo já machucado, nem apaga o pavio já fraco de chama”. É preciso “carregar o peso dos pecados da multidão”, “sofrer o castigo que todos mereciam”. Por isso “Jesus parece um homem castigado e humilhado por Deus, não desvia o rosto dos insultos, mas deixará grande descendência”.

As comunidades de hoje

Duas tentações parecem nos atacar hoje. São a de buscar sempre mais recursos de dinheiro e de poder, e a de fazer sucesso, ser estrela, “dar IBOPE”. Mas não é por aí que se pode contribuir para salvar a humanidade. Ele “não fazia vista, nem tinha beleza a atrair o olhar, não tinha aparência que agradasse. Era o mais desprezado e abandonado de todos”. Esse é o Salvador que o Evangelho segundo Marcos nos apresenta. Para continuar a obra dele precisamos acreditar na comunidade pequena, no grupo de reflexão humilde, nos gestos simples e humildes, na resistência diante das dificuldades, das incompreensões e das perseguições. Confiar mais nos recursos pobres, simples e criativos de quem não tem dinheiro mesmo. Tentar se levantar junto com os que estão derrubados. Deixar-se crucificar no meio dos “bandidos”. Esse é o caminho da salvação da humanidade.